
Os debates públicos em Sines, são uma farsa. Seja qual for o tema ou assunto, passam invariavelmente por uma ideia pré-concebida e já definida, sustentada por uns académicos, supostamente remunerados regiamente, e por uns desgraçados munícipes interessados e bem intencionados, que se não concordam com as propostas apresentadas o presidente e os seus vereadores se jogam como gato ao bofe, marcando o interveniente como um alvo a abater na próxima esquina.
Existem coisas que teimo em não aprender, neste caso em boa hora ganhei juízo para não pôr os pés em debates públicos na nossa terra. O debate sobre o centro histórico não foge a esta regra, que aliás não permite excepções.
Bem podem vir os académicos e estudiosos que entenderam para caucionar as ideias já definidas desde há muito. De tudo o que li e contaram sobre as propostas apresentadas, não existe um rasgo de novidade ou criatividade. Todas já conhecia como pretensões do Presidente da autarquia, muito antes da vinda dos génios universitários e dos seus estudos e inquéritos.
O jardim nas traseiras do Centro de Artes como elo de ligação ao Largo do Areeiro, a alteração das calçadas, o patético elevador de acesso à avenida da praia, a destruição da avenida Vasco da Gama - a única avenida, digna desse nome na nossa terra -, o impedimento de estacionamento e circulação automóvel e a criação de bolsas de estacionamento nos arredores do centro histórico que matará definitivamente este espaço (conhecem alguém que não frequente o centro histórico devido ao trânsito? e o contrário?).
Segundo o site da autarquia o arquitecto João Cabral, docente da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa, afirmou que o declínio do centro histórico de Sines é semelhante ao que ocorreu noutras cidades do país, tendo, neste caso, sido agravado pelas roturas provocadas pela instalação do complexo industrial.
Esqueceu-se apenas de referir que após o inicio do complexo industrial na década de 70, o centro histórico de Sines viveu períodos de vitalidade e florescimento. Agora a especulação imobiliária, a criação de contínuos anéis imobiliários à volta da urbe histórica, que alimentaram os cofre da autarquia, as grandes superfície, o fecho da rua Cândido dos Reis e as festividades na avenida da praia em detrimento do castelo, os imperativos legais e outros que impediram de construir e modernizar as habitações, esses sim, são os factores que debilitaram o centro histórico de Sines, sendo alguns comuns com os de outras localidades.
Outro génio das catedras lusas e outra iedeia que ultrapassa a minha capacidade de compreensão. Walter Rossa, o arquitecto responsável pela elaboração do Ante-plano, disse que está a ser pensada a criação de um fundo de investimento, constituído pela Câmara e pelas empresas que mostrem interesse em participar". Caso a ideia de fundo de investimento a que se refere não seja o de uma quermesse, um fundo de investimento representa um investimento financeiro, com a espectativa de um retorno, normalmente financeiro. Investiria, você caro leitor num fundo de investimento do Centro Histórico de Sines? e uma empresa com gestão profissional, fá-lo-ia? E o arquitecto Walter Rossa, está disposto a subscrever o fundo?
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Frases Soltas
"...o inquérito domiciliário que, entre outras conclusões, revelou o envelhecimento da população do centro histórico mas também sinais de que cresce o número de residentes jovens, bem como o facto de ainda existir muitos proprietários a habitar nas suas casas, o que poderá facilitar o processo de recuperação." Carmem Francisco, Vereadora
A esmagadora maioria dos residentes jovens foram atraídos pelas rendas baixas que os seus parcos rendimentos suportam, e os proprietários que ainda resistem devem ter uma média de 70 anos. Não me parecem que sejam potenciais investidores, mas nada como fazer um novo estudo para avaliar o perfil de investidor dos habitantes e a sua aversão ao risco.
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"A instalação de uma cúpula em algumas ruas do centro histórico, “que funcionariam quase como centro comercial”, trazendo para Sines um modelo já existente noutros países da Europa. Havendo esse abrigo, acrescentou, “as pessoas já podiam estacionar mais longe e Sines seria viva de Verão e de Inverno”. Luís Venturinha, residente
"A solução da galeria coloca problemas à estrutura dos edifícios onde é instalada." Professor Walter Rossa, Arquitecto autor do Ante–Plano.
Como será a estrutura instalada noutras cidades, será que não está apoiada nos edificios? Hummmm???!!!. Isto requer outro estudo.
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"a volumetria e o alçado serão os aspectos prioritários a conservar, acrescentando que o regulamento vai “permitir e até obrigar a introdução de todos os elementos necessários ao conforto numa casa moderna”. A proposta vai contemplar restrições, mas “não vai haver uma ditadura forte, muito menos na questão das cores”. Arquitecto Walter Rossa
Elucidativo. Basicamente será analisado caso a caso, uns haverá em que se pode derrubar e construir de raiz, outros em que nem uma telha pode ser removida. Quanto a ditaduras, caro arquitecto, estas não são fortes, ou fracas, simplesmente são. E dessas já basta.
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A substituição do actual pavimento em pedra rolada por um pavimento mais suave mereceu a discordância da munícipe Jorge, por considerar que, apesar de incómodo, o mesmo faz parte da identidade do centro histórico. É essa, porém, uma das intervenções já previstas, e com co-financiamento aprovado, no programa de Regeneração Urbana. Do ponto de vista de Manuel Coelho, estas obras melhorarão a acessibilidade e a atractividade do espaço público do centro histórico.
Discorde ou não, tá decidido. Existem centros históricos que preservaram as calçadas originais, nivelando e enchendo estas, com soluções que permitem a drenagem das águas pluviais. Mas cá, está decidido. Ponto final.
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Quanto às soluções de trânsito, Walter Rossa disse que (…), o princípio deverá ser vedá-lo a quem não vive na zona histórica. De acordo com o presidente da Câmara, está planeada a construção de bolsas de estacionamento no Largo 5 de Outubro, na zona antiga fábrica “Socor”, na zona do Mercado Municipal e, possivelmente, no futuro Pátio das Artes (envolvente do Centro de Artes).
Outra questão que estranho ninguém abordar é o estacionamento do CAS, que já na ocasião era uma bolsa de estacionamento de apoio ao centro histórico. Contudo parece-me interessante deixar a viatura no Largo do IOS e, por exemplo, num dia de chuva ir até um dos futuros serviços públicos localizados no centro histórico a pé.
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A propósito da construção de um elevador como solução de acesso entre o centro histórico e a Avenida Vasco da Gama. "...os elementos arquitectónicos podem ser dissonantes e, se tiverem beleza, valorizam o espaço."
Manuel Coelho, Arquitecto, perdão, Presidente da CMS