segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Vasco goleia e isola-se no comando

Rumo à subida de divisão, ontem o Vasco da Gama voltou a justificou o seu estatuto de principal candidato, à 1ª divisão distrital de Setúbal, ao vencermos no nosso Estádio o Almada por 6-0. Numa partida que tudo indicava que seria difícil e equilibrada, mas que o desenrolar do jogo evidenciou a nossa qualidade quer individual, quer colectiva para ultrapassar este adversário com uns expressivos seis golos ( Tiago Sobral (3), Roberto, Daniel Direito e Daniel Sobral) sem resposta.

No jogo de ontem que destacar o forte grupo de trabalho que tem o Vasco da Gama na equipa sénior, visto que o mister João Direito fez algumas alterações relativamente á equipa que tem jogado e lançou jogadores menos utilizados e a resposta foi fantástica, retribuindo assim a confiança depositada. Uma palavra especial para o Tiago Sobral que apareceu na equipa titular pela primeira vez esta época fazendo hat-trick e a justificar a opção do mister, fruto do trabalho que o Tiago tem desenvolvido nos treinos para justificar esta merecida oportunidade.

O Vasco é neste momento o melhor ataque (16 golos marcados), melhor defesa (3 golos sofridos) e líder isolado da prova com 13pontos.


Para a próxima jornada vamos defrontar em Almada o Beira-Mar, segundo classificado com menos um ponto que nós, o que faz prever um grande jogo, estando em disputa a liderança do campeonato.

Sines, Capital Alentejana da Cultura


Sines assume-se de direito próprio capital da cultura do Baixo Alentejo, muito por mérito do trabalho desenvolvido pela Autarquia, tendo o seu ponto alto na realização anual do melhor festival nacional de World Music, o FMM, Sem esquecer o trabalho desenvolvido por associações, onde se distingue o CCEN e o Teatro do Mar.

Uma marca da política cultural deste executivo, principalmente do presidente da autarquia, foi o abandono da lamechice da cultura popular, introduzindo actividades culturais mais eruditas, para a qual se supunha que o eixo Sines-Santiago-Santo André, não teria procura suficiente, e por vezes não tem, mas Sines já se tornou uma referência nacional em muitas actividades culturais, o que lhe permite um público geograficamente diversificado.
Tudo isto mantém muito elevada a minha expectativa relativamente ao Museu e Casa Vasco da Gama, e o saudado regresso ao castelo de Sines, dos eventos de importância maior na vida do Concelho.
Duas questões que nunca terão resposta, ou pelo contrário, terão várias respostas: a actual politica cultural é a mais correcta? Os investimentos autárquicos na área cultural serão prioritários para Sines?

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Auto-estrada do Baixo Alentejo

São seis os consórcios candidatos ao concurso público para a subconcessão do Baixo Alentejo, revelou o Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações (MOPTC). Em comunicado, o ministério liderado por Mário Lino adianta que os consórcios concorrentes são o Grupo Rodoviário do Baixo Alentejo (onde está integrada a Edifer), a Rota do Baixo Alentejo (liderado pela Somague), a Cintra, a Auto-Estradas XXI (em que surge a Soares da Costa), a AENOR e a Auto-Estrada do Baixo Alentejo (liderado pela Brisa).A Comissão de Avaliação irá agora apreciar as propostas e, revela o MOPTC, ainda este mês será proposta a “adjudicação provisória da obra a um dos concorrentes”. Refira-se que esta subconcessão integra a construção de uma nova auto-estrada entre Sines e Beja, parcialmente portajada, além da construção do IP 2 entre Évora e São Manços e da ER 261-5 entre Sines e Santo André, bem como a conservação de outras estradas já em serviço.

Correio Alentejo

Plano Rodoviário

Sines aguarda desde há muito um plano rodoviário, que defina o trânsito de modo a que não tenhamos de fazer um quilómetro para percorrer uma distância de 200 metros, entre o ponto de origem e de destino, estacionamento que não seja caótico atafulhando espaço de circulação pedonal, sinalização vertical e horizontal*, eliminar a quantidade desnecessária de sinalética, implementação de sinalização de orientação de modo a que Sines não seja um labirinto para os visitantes. Mas um plano rodoviário, contempla igualmente os peões, somos das localidades com menos e mais curtos passeios que conheço, iluminação nos pontos de maior circulação e intersecção de trânsito e peões, lombas limitadoras de velocidades em zonas de escolas e de passadeiras, etc, etc, etc.
Tudo isto é do senso comum, contudo a sua aplicação não basta olhar para uma planta da cidade e decidir, existem empresas e técnicos especializados, a autarquia que tão bem se tem assessorado e recorrido a empresas externas, para trabalhos técnicos especializados, teima em não apostar na qualidade numa área com um impacto tão grande na vida dos cidadãos.
E tudo isto, numa área urbana ridiculamente pequena, para tão desgraçado planeamento (???) rodoviário.

* A sinalização horizontal ou antes a sua ausência (excepto na marginal da Costa do Norte e na Avenida da praia, cuja gestão não cabe à autarquia), é um mistério. Porque as ruas e estradas de Sines deixaram de ter marcas no asfalto? Quem sabe quantas faixas tem a Avenida General Humberto Delgado? Apesar do ridículo não ter limites, terá andado lá perto no dias em que assisti a funcionários da autarquia a pintar de rolo e tinta de água uma passadeira.

Até a Barraca abana!

As campanhas eleitorais, nomeadamente o contacto porta a porta, são uma das experiências sociais verdadeiramente enriquecedora. Mesmo num meio pequeno em que muitos têm a presunção de tudo e todos conhecerem.
Numa das duas campanhas eleitorais autárquicas que participei, conheci um caso que nunca tinha pensado, e ainda hoje recordo com frequência.
Na visita a um bairro misto de barracas e algumas construções em alvenarias ilegais, a família proprietária de uma das barracas de madeira e zinco, albergava solidariamente – o sentimento de solidariedade é mais forte nas classes mais pobres, mais um dos estranhos fenómenos da natureza humana – um familiar distante, cujo sonho era possuir uma barraca. Foi então que percebi o significado da música de Gabriel o Pensador, com o refrão: “Eu só queria morar numa favela”. É o grau zero da existência humana.
Existe pelo menos três tipos de Barracas: a dos necessitados, dos aproveitadores e dos expectantes. De todos encontramos exemplo em Sines.
A dos necessitados, que continuam a existir em Sines. E que sem qualquer demagogismo, não se devia fazer nem mais uma Festa, equipamento de lazer, ou outro investimento sem resolver este drama. Este é o investimento prioritário, que todos devemos aos mais desfavorecidos, é para isso que pagamos impostos, o principio da solidariedade, é um dos pilares da sociedade desenvolvidas. Aproveitadores. Tantos que existem no nosso concelho, começa na horta, no armazém de apoio à horta, e temos a barraca que em poucos anos se transforma num anexo em alvenaria, no projecto aprovado, porque o filho casou e precisa dum local para viver. A atitude de praticamente todos é uma afronta para quem verdadeiramente têm de viver numa barraca.
Os expectantes. Vão existindo no Concelho e muitos com sucesso, muitas das vezes por inacção de quem de direito. Vem trabalhar para Sines, normalmente em trabalhos de paragens das unidades industriais, mal remunerados, findo o trabalho vão ficando, começam qual formiguinha a montar a sua barraca. Quando se dá por isso, temos mais uma barraca no Concelho.
Das muitas fotos possíveis, publiquei somente aquelas que encontrei entre o restaurante e o regresso ao trabalho, mas não é possível deixar de referir locais como a Ribeira dos Moinhos e a Barbuda.
Nota: É impressionante o "bairro" que a autarquia permitiu junto à estrada da Costa do Norte, o percurso foi o normal, primeiro horta, depois armazém e agora barracas e casas, veremos se o comodato, não dará origem a direitos adquirido, à moda da boa e velha tradição.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Porquê?

A Câmara Municipal de Sines, a Repsol Polímeros e oito colectividades do concelho assinaram ontem, terça-feira,11, nos Paços do Concelho, protocolos de colaboração.Os protocolos estabelecem a atribuição de apoios financeiros da empresa às oito colectividades, como o Vasco da Gama Atlético Clube, Independentes Futsal Associação, Ginásio Clube de Sines, Andebol Clube de Sines, Clube de Natação do Litoral Alentejano, Bombeiros Voluntários de Sines, Academia de Ginástica de Sines e Teatro do Mar.O valor do conjunto de apoios atribuídos é de 35 mil euros.


Não questiono a nobreza do acto (apesar de diminuto) da Repsol, aceito como uma atitude de boa vontade da Câmara Municipal intermediar (controlar?) a concessão de subsídios das grandes empresas do Complexo, obtendo deste modo um montante que provavelmente a soma de vários apoios individuais não atingiria, não ponho em causa a importância das colectividades contempladas, do mesmo modo que não posso duvidar do mérito das que ficaram de fora.

A única critica em todo este processo é a falta de transparência, o desconhecimento do critério, a dúvida instalada e o eventual favorecimento de algumas colectividades em detrimento de outras.
Tudo porque a autarquia ao não divulgar os critérios de selecção das entidades e dos montantes atribuídos semeia suspeitas, inibe a crítica das colectividades contempladas e das excluídas (que esperam a sua vez, num comprometedor silêncio), permite duvidar da existência de estratégia de apoio em substituição de uma atribuição casuística (ou pior) e acreditar que a boa vontade mais não é que uma actividade centralizadora e dominadora que visa controlar o associativismo.
E qual o papel da Repsol e da Petrogal em tudo isto, serão apenas mecenas "cegos"? ou terá conhecimento de quem e do que apoiam? saberão quem fica de fora? limitar-se-ão a despachar a "sua responsabilidade social" para a autarquia, lavando as mão como Pilatos? Será uma decisão local, ou da sede das empresas? e onde mora a oposição? já procurou saber as repostas a estas questões, ou ainda nem se interrogou?
Portugal Teachers: Portuguese government must do better
Portugal’s teachers have descended on Lisbon en masse. More than 100,000 staff from all over the country gathered for a rally in the centre of the Portuguese capital.
They are furious at the socialist government’s education policies in general, and a new method of assessing teachers’ performance in particular – introduced for the first time this year.
Although they do not question the need for evaluation, they argue that the system as it stands is too bureaucratic, and difficult to operate fairly. But that is not the only issue which sparked such a huge turnout.
They are also unhappy with their work timetable, the way jobs are distributed, and the status of teachers in Portugal.

Euronews

Rotundamente

Além de facilitarem o trânsito, as rotundas são um elemento georreferenciador e de embelezamento das localidades. Mas para que cumpram a segunda e terceira função devem ser dotada de elemento distintivo. Resumindo, porque motivo a autarquia siniense faz as rotundas e simplesmente abandona-as ao seu papel funcional.Antigamente, praticamente todas as vilas vestiam as suas rotundas ou ilhas de trânsito com flores da estação, hoje existem localidades que optam por elementos decorativos, fontes de águas, outras por homenagear os seus heróis individuais ou colectivos, outras por monumentos de arte pública, e outras por nada. Simplesmente nada, excepto mato, ervas e tudo o mais que queira crescer livremente, enquanto os carros contornam bufando gás, como no caso de Sines.Em Sines para além da fonte de água, feita pela APS, não existe nenhuma rotunda distintiva, que sirva de referência geográfica, que imortalize os nossos heróis, ou os feitos de gerações passadas, ou simplesmente embeleze a nossa Cidade.Confesso que desconheço se existe, da parte do executivo camarário, algum prurido ideológico que impeça a valorização do indivíduo, enquanto actor individual da história, se falta liquidez para adquirir obras de arte públicas ou manter arranjos florias todo o ano, se questões ambientais impedem fontes de água ou luminosas, se não reconhecem a existência de nenhum movimento ou acontecimento colectivo de relevo na sociedade siniense digno de relevo, mas façam algo nas nossas rotundas que as distingam de um baldio ou simples empedrado.
Sobre este assunto veja: a http://asmaisbelasrotundas.blogspot.com/, blogue temático bastante curioso e engraçado.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Confesso que temi o pior

La Seda obtém aprovação para projecto de 320 milhões em Sines,
Financiamento a 15 anos

A La Seda de Barcelona obteve a aprovação para um «project finance» de 320 milhões de euros para as suas instalações em Sines, com um financiamento a longo prazo de 15 anos.
O calendário de amortizações permitirá pouca carga financeira para a empresa nos próximos cinco anos, de acordo com a própria. O «project finance» da fábrica de PTA da multinacional química é liderado pela Caixa Geral de Depósitos.
A construção desta fábrica iniciou-se no passado mês de Março e foi qualificada como Projecto de Interesse Nacional (PIN) pelo Governo e conta com subvenções directas e benefícios fiscais, ajudas autorizadas por Bruxelas.

Esplanadas de Estacionamento

Cada local possui a sua própria luz, como se o céu e o sol mudassem de cidade. Sines tem talvez a mais bela luz natural que conheço, e que atinge o seu expoente, algures entre o azul do mar e do céu limpo de nuvens.
Mas a esta generosidade da natureza, sobrepôs-se o destino dos homens. Sines merece ruas, avenidas e passeios largas, jardim amplos, largos e espaços ao ar livre servidos por esplanadas, que aproveitassem esta benesse da natureza.

No Largo da GNR, em vez de um esplanada, temos um parque de estacionamento, devidamente servido por mais um prédio sem cave de estacionamento, com varandas avançadas sobre o espaço público, que mais parecem querer devorá-lo.

No Largo Afonso de Albuquerque (antigo Largo da Rodoviária Nacional) porta de entrada do Centro Histórico e situada numa área comercial e de serviços de relevo, em vez de uma esplanada a toda a dimensão do largo e da criação de estacionamento subterrâneo, licenciou-se a construção de mais um prédio de dimensões consideráveis, sem cave de estacionamento e no lugar da esplanada, estacionam viatura encostadas a barras de ferro para evitar que entrem pelas montras. Neste caso as alegadas dificuldades de fazer uma cave naquele solo, apresentadas pela autarquia, esbarram na existência da cave do prédio ex-BNU, na cave do Centro de Artes, a escassos metros, e nas soluções de engenharia actuais que permitem quase tudo.

Nota: Prevê a lei a atribuição de uma compensação devida pela ausência de estacionamento, paga pelo construtor à autarquia, que atendendo ao espírito da lei serviria para criar os lugares de estacionamento à superfície, compensando deste modo a sua ausência em cave.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

VASCO continua sem perder!!!

Mais uma jornada passada e o Vasco da Gama continua sem perder no campeonato da 2ª divisão distrital de Setúbal, decorridas quatro jornadas. Este domingo deslocámos-se ao Barreiro para defrontar o Luso, adversário sempre difícil de bater no seu (mau) terreno, quer pela intensidade que imprime ao jogo, quer pela pressão (com muitos excessos) do seu público à equipa de arbitragem e às equipas visitantes.

Entramos bem no jogo dominando os primeiros 20 minutos, traduzindo-se no nosso primeiro golo, obtido num livre directo, bem cobrado pelo Miguel Nobre e que espelhava a nossa superioridade até aquele período do jogo. Depois do 0-1 o Luso reagiu e procurou o golo do empate, que chegou perto do intervalo numa falha de marcação dentro da nossa área, fixando o resultado em 1-1 ao intervalo, perspectivando-se uma boa segunda parte.

Na segunda parte não estivemos ao nosso nível e permitimos alguns ataques do Luso, num desses ataques e de aparente controlo da nossa parte o Luso chega á vantagem num golo muito consentido da nossa parte, resultante de um lance sem o mínimo perigo... inverteram-se os papéis, agora éramos nós que corríamos atrás da (injusta) desvantagem. E quando já ninguém acreditava que empataríamos, e que o Luso seria a primeira equipa a vencer o Vasco da Gama, Ismael ao minuto 90 faz um grande golo (2-2), em remate fora da área que permite continuarmos em 1º lugar isolados com 10 pontos.

Domingo, dia 16/11/08 ás 15h, prevê-se um jogo difícil para o Vasco da Gama na recepção ao Almada a contar para a 5ª jornada. Os sócios do Vasco com as quotas em dia têm entrada gratuita, já o restante publico pagará apenas 4,00€ para ver o jogo.

VASCO DA GAMA 10 pontos - 4 jogos
Beira-Mar de Almada 9
Paio Pires 8
Almada 7
Botafogo 7
Luso Barreiro 5
Quinta do Conde 4
Juventude Sarilhense 3
Lagameças 2
10º Charneca da Caparica 0

domingo, 9 de novembro de 2008

Falta de Ar

A Câmara Municipal de Sines será (e espero que sempre) o sócio maioritário, como garante do funcionamento e êxito deste grande projecto (Escola das Artes de Sines).
Presidente da CMS, in Informação à População de 5.11.2008


Penso precisamente o contrário, e espero que a CMS possa rapidamente deixar de ser o sócio maioritário, porque existem instituições da sociedade civil que garantem o funcionamento e o êxito da Escola de Artes de Sines. Isto porque acredito na capacidade dos indivíduos e nas instituições, e porque entendo que as competências das autarquias devem ir somente até onde não chega a sociedade civil.
Da política do actual executivo autárquico a centralização da vida social, com o consequente controlo das suas instituições e esmagamento da iniciativa privada da sociedade civil, é aquele que irremediavelmente mais me afasta.
Esta relação de domínio, directo ou indirecto, sobre algumas instituições e de menosprezo com aquelas onde não consegue exerce a sua influência, tem sofrido um agravamento nos tempos recentes. Recentes atitudes – como a recusa da CMS apoiar iniciativas do Centro Cultural Emmerico Nunes, a exclusão de parcerias na gestão da pré-escolas - superaram o bom-senso e dificilmente se justificam ideologicamente (a este propósito ver aqui) ou um fundamento estratégico que não seja a perpetuação do poder, através do controlo das instituições e do esvaziamento da sociedade civil.
Sou acérrimo apologista de uma sociedade civil livre, independente e vibrante, competindo às autarquias promover a sua dinamização, garantir e assegurar o seu funcionamento e regulação, constituindo um complemento à iniciativa da sociedade civil e não à sua substituição.
O mais recente acto desta dispendiosa politica é a criação de uma bolsa de emprego, criada pela autarquia. Ultrapassa-me de que forma poderá a autarquia substituir, suprir ou melhorar o mesmo serviço prestado pelo Centro de Emprego de Sines.
Menos grave, mas igualmente preocupante, são os custos que tudo isto significa para e que em última análise os nossos impostos suportam. De cada vez que a autarquia ocupa o espaço da sociedade civil, canibalizando as suas instituições, “engorda” a sua já obesa estrutura de pessoal e de custos.
Se para alguns a iniciativa privada continua a ser um pecado, para muitos mais, a ineficiência da gestão pública é um inferno.

sábado, 8 de novembro de 2008

Mea Culpa


Hoje ao ler o comunicado à população do Presidente da Câmara Municipal de Sines, sobre os corpos sociais da Associação Pró Artes, percebi que errámos e ambos por bons motivos.


Errou o presidente da Câmara Municipal de Sines, que somente olhando a bondade do fim a alcançar - oficializar a Escola de Música para o corrente ano lectivo e assegurar o seu financiamento - não ponderou os meios, convidando particulares da sua esfera pessoal, pejando o honrosos caminho percorrido - conseguir a oficialização num mês, num país complex - de desconfiança e criando um facto politico. Errou ao não prever a suspeita e antecipar a justificação.

Errei redondamente, precipitando-me no post em que critiquei o facto de não ter o presidente da CMS convidado instituições e colectividades ligadas à área da música para constituir a associação. Fi-lo certo da legitimidade de tornar pública a minha indignação, da exclusão de instituições ligadas à música em detrimento de particulares.

Por não ter confirmado que esses convites foram efectuados e somente a exigência de cumprir procedimentos estatutários não permitiram que as entidades se associassem dentro do tempo exigido, apresento as minhas desculpas aos visados e aos leitores.

Nota de rodapé: Sempre que penso que existem fins que justificam os meios, recordo-me de uma estória, que não sei se verdadeira ou falsa. Um prefeito no interior do Brasil - terra fértil dos mais recambolescos acontecimentos - pretendia construir um novo cemitério, contudo o número anual de óbitos não era suficiente para garantir o financiamento estadual. Pois, foi algo que ficou resolvido com o banquete oferecido nas festas da cidade e consequente intoxicação alimentar.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Comunismo pragmático


A Câmara de Santiago do Cacém lançou à discussão pública um projecto que prevê a proibição de trânsito de veículos de transporte de mercadorias perigosas nas estradas do concelho.


De acordo com esta autarquia do Litoral Alentejano "a circulação de veículos de transporte de mercadorias perigosas nos perímetros urbanos do município de Santiago do Cacém apresenta elevada perigosidade, susceptível de provocar acidentes ecológicos, situações de poluição ambiental e é um factor de degradação da qualidade de vida das populações, seja pelo ruído, seja pela poluição seja pelo risco de acidente agravado", segundo é revelado pelo elenco camarário.

Ainda na opinião do município, a presente postura visa, assim, condicionar a circulação de veículos de transporte de mercadorias perigosas desde que estas mercadorias se encontrem abrangidas pelos critérios de classificação de mercadorias perigosas.
Um "estatuto" que, de resto, está previsto no Regulamento Nacional de Transporte de Mercadorias Perigosas por Estrada e na demais legislação e normas europeias em vigor nesta matéria".
A nível do distrito de Setúbal é o transporte de gás liquefeito que levanta maior apreensão aos serviços de protecção civil, já que em caso de acidente, uma nuvem tóxica pode ser muito grave e, se houver aquecimento da cisterna, ela pode explodir e os estilhaços atingirem centenas de metros. Daí que que existam atenções redobradas sobre Sines.


Preocupação legitima, mas que creio, se resolva com uma maior atribuição de subsídios das empresas do Complexo Industrial de Sines ao Município de Santiago, como Vítor Proença já reclamou.

A sul do Sado, há um dono da cultura

"Nestas coisas da cultura, felizmente que ainda há quem resista, ainda há quem vá contra poderes instituídos.
O Centro Cultural Emmerico Nunes é uma das mais reconhecidas instituições culturais, não só em todo o litoral alentejano, mas também no sul do país. E claro de reconhecidíssima importância e relevância para a sua cidade berço – Sines.

Foi e ainda é aos olhos dos principais agentes e divulgadores de arte, um dos principais promotores, a sul do Tejo, da arte contemporânea feita em Portugal. Anualmente produz a “Verão Arte Contemporânea”, o seu evento de divulgação dos mais considerados artistas plásticos nacionais. De Paula Rego a Graça Morais, de Júlio Pomar a Pedro Cabrita Reis, de Assis Cordeiro a Pedro Calapez, inúmera a lista. De jovens artistas e menos tal, sem excepção, todos reconhecem ao CCEN uma enorme valia na divulgação das artes e da cultura deste país.

Parceira de instituições como a Fundação Gulbenkian, CCB ou Colecção EDP/Culturgest, o CCEN de Sines continua a constar como uma das mais prestigiantes cooperativas culturais no sul do país.

Ninho de sensibilidades artísticas, por ele passaram jovens de diferentes gerações que, ao longo dos anos, foram valorizando uma instituição que actualmente recebe da autarquia, sua promotora, nem mais nem menos que o absoluto desprezo.

Apoiada no passado pelo município de Sines, onde aliás, consta ainda oficialmente como cooperante, o Centro Cultural segue indiferente ao garrote sufocante a que foi votada pela actual autarquia há vários anos, continuando com a sua programação possível. Indiferente não é bem assim…

Há coisas que doem. Que magoam profundamente, sobretudo para quem se dedica à cultura com paixão, espírito solidário e de sociedade. Mais que a dívida (monetária), custa o desprezo.

O CCEN é uma cooperativa cultural na melhor acepção da palavra. Vive do voluntariado dos seus cooperantes e do apoio económico de alguns mecenas (instituições públicas e empresas privadas), que reconhecem ao Centro, um passado e um presente de importância cultural relevante. É por isso e por muito mais, que lhe foi reconhecido o estatuto de utilidade pública.

Recentemente, em 10 de Outubro passado, inaugurou a exposição “Sines – Três Séculos de Cartografia” e apresentou oficialmente o livro “Alexandre Massai: A Escola Italiana de Engenharia Militar no Litoral Alentejano (Séculos XVI e XVII)” do historiador António Martins Quaresma.

Entre os dias 18 e 19 de Outubro levou a efeito na cidade de Sines um - Encontro de História “Alentejo Litoral”, que reuniu naquela cidade, historiadores, arqueólogos, professores de história e outros interessados. Sete (7) conferências, 27 comunicações, dezenas de participantes. Um concerto de harpa céltica e outro de guitarra portuguesa. Durante dois dias o centro histórico da cidade esteve vivo e movimentado como raramente está.

Se disser que em nenhum dos eventos relatados esteve representado, apesar dos convites, algum membro do actual elenco municipal, digo rigorosamente a verdade. Em termos institucionais autárquicos, apenas a presença da Junta de Freguesia e do actual presidente da Assembleia Municipal.

Como qualquer instituição cultural, também o Centro Cultural Emmerico Nunes de Sines, precisa de apoio. Económico e solidário. Sobretudo pelo reconhecimento de mais de vinte anos ao serviço e em prol da cultura.

Assim não entende a autarquia de Sines. Desde que construiu o seu Centro de Artes, o apoio a instituições culturais como o CCEN acabou. Perante a sua política cultural, centrada umbilicalmente nas suas realizações e produções, tudo o resto secou. Como se a cultura fosse propriedade de quem tem poder. Político e económico. Como se a cultura tivesse dono. O município tem a sua política e o Centro também.

Resta apenas uma pergunta: - a ser assim, porque razão é ainda a Câmara Municipal sócia cooperante (???) do CCEN?

Resposta muito simples: - para o Centro, as instituições são isso mesmo. As pessoas vão e vêm, mas as instituições ficam. E essas quando funcionam bem é que merecem respeito."
Texto (adaptado) de João Pereira da Silva
In Setúbal na Rede