quinta-feira, 10 de abril de 2008

Estudo dos efeitos da poluição na saúde



Apesar da natural descrença, resultante de anos de indiferença e de recuos – veja-se o caso da Sinesbioar - relativamente à medição da poluição atmosférica, provocada pelas empresas do Complexo Industrial de Sines e da realização de um estudo epidemiológico, parece notório que existe, mais uma vez, um real empenhamento das empresa, autarquia e entidades envolvidas no GISA - Gestão Integrada da Saúde e do Ambiente no Litoral Alentejano de levar a bom porto a realização de uma velha aspiração da população do Concelho de Sines.
Infelizmente dois aspectos minam a confiança e transparência que um projecto deste cariz deve acolher junto das populações:
Tendo o GISA um custo previsto de 1 milhão e 183 mil euros e considerando que só para o sector petroquímico estão previstos para Sines 2,1 mil milhões de euros de investimentos, a sua implementação significa 0,056% (pouco mais de metade de meio porcento), como pode existir dificuldades de financiamento?;
A afirmação do vice-presidente da CCDRA de que “o projecto vai permitir desfazer alguns mitos sobre a poluição em Sines e na região". Infelizmente o único mito que poderá cair por terra é que a poluição atmosférica gerada pelo Complexo Industrial de Sines contribui significativamente para a degradação da nossa saúde, ao contrário do que por vezes querem fazer crer.

Um sopro de realidade

Seis da manhã, D. Justina, sem esperança nem convicção, sai da cama, prepara o almoço, acorda o filho, Humberto de seu nome, quase como um ritual. Uma hora depois, já está a caminho, 2 Kms de terra batida, debaixo de chuva, até à paragem que a levará aos prédios da vila, onde as senhoras ainda dormem, enquanto ela lava, engoma, limpa e esfrega em troca do seguro de acidentes de trabalho - não vão as senhoras ter chatices - e um cheque de € 350, sem descontos, nem esperança ou convicção.

Jogado em cima do sofá da sala, o Diário Económico. Luís Campos e Cunha e Miguel Cadilhe debatem se Portugal está em recessão. O primeiro recusa tal ideia, pois teria que existir uma variação real negativa do PIB em dois ou mais trimestres consecutivos, daí que seria impossível pedir ao Ecofin que nos considerasse em recessão, para Miguel Cadilhe é possível demonstrar a Bruxelas que estamos em recessão grave, de acordo com o n.º 2 do art.º 2 do procedimento relativo aos défices excessivos do Pacto de estabilidade e Crescimento.

Justina ajeita o sofá, limpa a mesinha, arruma o candeeiro, despeja o cinzeiro, pega nos copos, dobra o Jornal. PIB, Ecofin, recessão, Pacto de estabilidade e Crescimento. O Diabo que os carregue!

A muito custo, Augusto levanta-se, dois nacos de pão, queijo, leite e três comprimidos, deixados em fila por Justina. A coluna rebentada por anos de trabalho, sazonal, na apanha do morango e a queda de cima da oliveira, lançaram os seus dias na dúvida entre a dor da deslocação ao médico e a dor do imobilismo em casa, o encerramento do Centro de Saúde e o Hospital a mais de 30 kms, elevou a dúvida e a dor dor, assim como esperar uns meses pela TAC ou gastar o pé-de-meia e fazê-la numa semana.

No pequeno rádio, debate-se a qualificação do Serviço Nacional de Saúde, a devolução da confiança aos cidadãos e aos profissionais de saúde, o alargamento do SNS e o acesso a todos de forma equitativa, a melhoria no combate à mortalidade infantil e da esperança média de vida, o Plano Nacional de Saúde, os genéricos, a rigorosa gestão de recursos e de combate ao desperdício, as Unidades de Saúde Familiares.

Augusto apoia-se na bengala, enquanto se senta na cadeira do lado de fora de casa, encosta o pequeno rádio roufenho ao ouvido, sintoniza outro ponto. SNS, indicadores, PNS, USF. Puta que os pariu a todos!

Humberto acelera, desde que a fábrica fechou e o jogou para o desemprego é a terceira vez que é chamado ao Centro de Emprego, para ele Centro de Cursos. A Multinacional encontrou outros terrenos férteis em mão-de-obra não qualificada e ainda mais barata. Os sindicatos e os partidos agitaram-se, entre inscrições no sindicato e novos militantes, ficaram promessas, solidariedade e desemprego. Encosta a motorizada à porta do café, uma bica, o jornal, dois dedos de conversa.
Humberto folheia o Jornal com o dedo molhado de saliva, procurando as páginas de desporto, à sua frente dançam as palavras, plano tecnológico, criação de emprego para licenciados, novas oportunidades, aumento do investimento estrangeiro, crescimento do PIB, redução do défice, Prime, PIN, Aeroporto, TGV, nova travessia, globalização...

Globalização?! Desperta, tira os olhos do jornal. O seguro na Global, já vencido, não lhe permite levar a motorizada para além do café da vila, não vá o Diabo tecê-las. Badamerda para isto!

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Repsol Sines

O projecto petroquímico da Repsol em Sines, no valor de 850 milhões de euros deverá estar concluído e pronto a produzir no final de 2010. O calendário foi avançado pelo presidente da Repsol.
Antonio Brufau, que se deslocou a Lisboa para receber o prémio do melhor gestor luso-espanhol 2007, atribuído pela câmara comercio Luso-Espanhola, prevê que as obras arranquem no último trimestre deste ano.
"Estamos na última fase deste projecto e esperamos ter a aprovação do conselho de administração até meados deste ano de forma a iniciar as obras no último trimestre de 2008 e começar a produzir no final de 2010", revelou o Antonio Brufau aos jornalistas.
O presidente da petrolífera espanhola afirmou que Sines "é um dos três projectos prioritários da Repsol na Península Ibérica no âmbito do plano estratégico".
in Jornal de Negócios

terça-feira, 8 de abril de 2008

Páiii, quero uma mota.

Jorge Coelho foi Ministro das Obras Públicas dos Governos Guterres, destacadíssimo dirigente do PS, conhecido como grande mobilizador das bases e angariador de fundos, verdadeiro pittbull do partido - ou não fosse dele a famosa frase, “quem se mete com o PS leva”-, correu o País berrando dos palanques, travou duros, mas quase sempre leais, combates com os adversários políticos. Foi a ligação entre as bases e o Partido, arregimentou militantes para a luta, cativou simpatizantes, convenceu indecisos, tudo fruto de um considerável capital politico, em muito resultante da sua demissão, na sequência da queda da ponte Entre-Rios, quando na qualidade de Ministro das Obras Públicas afirmou que a culpa não pode morrer solteira. Atitude que no nosso País não é coisa pouca.
Agora vai assumir as funções de CEO da Mota-Engil, somente a maior empresa de construção portuguesa, a quem foram adjudicados milhões de euros em obras públicas pelos governos PS. Que se saiba não foram adjudicações feridas de legalidade, assim como não é, Jorge Coelho assumir as funções de CEO.
Contudo, Jorge Coelho desbarata um capital de confiança, em troco da suspeita de que a construtora pretende utilizar a sua capacidade de lobbying, na melhor das hipóteses, ou está a pagar algum favor, na pior das hipóteses. Por sua vez a Mota-Engil abre uma janela de suspeição sobre anteriores ou futuros benefícios políticos desta nomeação, numa altura que, coincidência ou talvez não, aproximam-se grandes obras públicas em Portugal.
Melhor que ser Ministro e ter viatura com motorista, só ser ex-Ministro e ir de mota.

O modelo Pimenta Machado


«O futebol português foi durante anos uma mentira mas só agora isso está na moda», afirmou Pimenta Machado, ex-Presidente do Vitória de Guimarães, à saída de uma audência referente ao processo Apito Dourado.

Compreende-se o seu lamento, ele que foi um dos mais destacados modelos da sua época e ninguém ligava à moda.

Apito mais que Dourado

Junte três árbitros de suposto pretígio, peça-lhe um relatório de peritagem à arbitragem de dois jogos. Estes analisam individualmente e fazem um relatório conjunto, nada mais fácil. Errado, com os árbitros que temos, deu merda. O relatório final não coincidia com o que tinham decidido em conjunto, sendo que Jorge Coroado "leu na diagonial" - coerente com a forma como arbitrava muitos jogos - o relatório final, que entregaram em cima da hora, e que afinal Jorge Coroado, reconheceu que não leu nem na diagonial nem de forma alguma - continua coerente com algumas das suas arbitragens. Aceitou o relatório porque acreditou que este reflectia o acordado em conjunto, e não a opinião do colega que o redigiu - de quem aliás não quis dizer o nome. Mas o ex-árbitro assegurou ao tribunal, que só pontualmente o relatório não reflecte a opinião unânime. Como se não bastasse esta trapalhada, o perito mudou de opinião no que respeita a dois lances que tinha ajuizado de outra forma. Complicado? Não. Complicados são os jogos em que os favorecidos não conseguem marcar, isso é, que é, complicado.
Só se supreende com esta comédia, quem não acompanha o futebol luso e os seus actores.
À semelhança das espécies animais, os Portugueses é nas relações de domínio, alimentação e acasalamento - mas entre nós no futebol - que explanamos toda a nossa natureza.

Dialogar

Referindo-se à China, Durão Barroso afirmou que "Mantemos sempre o diálogo pelos princípios e valores europeus".
A Europa tem feito bem ao ex-primeiro-ministro Português, hoje apela ao diálogo com a China, em tempos, na base das Lages, manteve o diálogo com os Estados Unidos. Sempre dialogante, nada como a coerência.

Responsabilidade Social

A Delphi e a Yazaki duma assentada, jogaram para o desemprego cerca de 850 trabalhadores. habitualmente estas empresas, para se estabelecerem em território nacional, costumam usufruir de benefícios, incentivos e isenções fiscais, assim como outras vantagens não aplicáveis a empresas nacionais, concedidos por Governos e Autarquias. Agora que chegou a hora da Delphi e Yazaki, procurararem mercados mais competitivos - mão-de-obra mais barata e leis laborais mais flexíveis, entenda-se - resta saber se as contrapartidas relativas às vantagens oferecidas foram cumpridas, como por exemplo os anos de laboração previstos. A responsabilidade social das empresas é um conceito abstracto que, mais, estes trabalhadores nunca compreenderão.

PEV(ide)

Após visita à ETAR da Ribeira dos Moinhos o Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) anunciou que vai questionar os Ministérios do Ambiente e do Trabalho sobre o "mau funcionamento" da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Sines e sobre as condições de trabalho e processos disciplinares, respectivamente.
Na política existem dois momentos distintos, muitas vezes separados por uma ténue linha, a oportunidade e o oportunismo. A oportunidade estava reservada para quem denunciasse a situação ambiental e de condições de trabalho existente na ETAR, o oportunismo para o PEV. Aliás neste partido (???) tudo é oportunismo, desde o seu nome até à coligação que integra. A sua autonomia eleitoral levaria ao seu, inevitável, desaparecimento.
Como partido integrante da coligação que comanda os destinos do nosso município não se lhe conhece vida própria - ao contrário do PCP - nem opinião sobre a poluição no nosso Concelho, nem sobre o caso particular dos esgotos, aliás, nem sobre nada.
A sociedade portuguesa já deu sinais que está ultrapassado o estigma de ser comunista, pelo que se adivinha que brevemente acabará a sigla CDU e então veremos o que vale este PEV.
Por enquanto, permitem manter nos media a questão da ETAR da Ribeira dos Moinhos, quando outros partidos já esgotaram o seu "tempo de antena", parece ser esta a sua função no espectro politico nacional, como fica bem evidenciado na AR.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Da série "Para que conste"

Valores Anuais:

1.º José Mourinho: 29 milhões de euros
2.º Fábio Capello: 14,2 milhões de euros
3.º Alex Ferguson: 7,4 milhões de euros

1.º David Beckham: 31 milhões de euros
2.º Ronaldinho: 24,1 milhões de euros
3.º Lionel Messi: 23 milhões de euros
4.º Cristiano Ronaldo: 19,5 milhões de euros

Fonte: France Football

Conclusão: Falar português e chamar-se Ronaldo são dois factores fundamentais para ser rico.
Comentário: Imoral

Violência escolar

A ministra da Educação já conhecia os dados sobre violência nas escolas revelados pelo PGR, nomeadamente que há alunos que levam armas para os estabelecimentos de ensino. «São dados que são compilados e reportados pelo próprio Ministério da Educação. E resolvidos também», explicou Maria de Lurdes Rodrigues. O ministério registou 140 casos em que houve violência praticada com armas nas escolas. Na opinião da ministra, «a maior parte dos casos são nas imediações da escola, não são no seu interior».

Depois do encontro que manteve com o presidente da República, Cavaco Silva, Pinto Monteiro disse que «há alunos levam pistolas de 6,35 e 9 mm para as escolas... para não falar de facas, que essas são às centenas».«Quando não são os pais que dizem aos filhos para levarem a sua pistola para a escola para se defenderem», contou o Procurador, preocupado com a «impunidade» que se vive nas escolas e no país. Entretanto, Pinto Monteiro apelou aos conselhos executivos das escolas e aos professores para que denunciem todos os casos de agressões praticadas dentro dos estabelecimentos de ensino, actos que configuram um crime público.
Portugal é assim, num dia deitamo-nos e "apenas existiram 140 casos" que o Ministério conhece e que resolve, até porque parte deles são fora da Escola e como tal para o Ministério da Educação estão resolvidos. Quando acordamos no outro dia estamos perante pistolas de 6,35 e 9 mm e centenas de facas. Algures entre a sonsa sonegação de informação da Ministra e o alarmismo do PGR esconde-se a realidade, que todos esperamos que nunca bata à nossa porta.

Da série "Parvoíces Minhas"


Fosse eu que mandasse e os braços de pedra que estrangulam a Baía de Sines, como duas garras que apertam a sua garganta, seriam coberto de terra, onde cresceria livremente vegetação autóctone, criando a ilusão de um prolongamento natural da falésia.
Mas isto são parvoíces minhas.

domingo, 6 de abril de 2008

O Poeta Manuel Alegre

Manuel Alegre afirmou em entrevista a Margarida Marante, que se revê mal neste partido simplesmente porque é ‘socialista’ e o PS deixou de o ser.

São assim os poetas, traduzem em palavras os nossos sentimentos.

sábado, 5 de abril de 2008

The show must go on


Como um serviço de escort girls o futebol português vai servindo os vários interesses e gostos por catálogo e encomenda desde que devidamente recompensado.

Numa verdadeira luta de titãs a justiça desportiva e a justiça civil digladiaram-se para ver quem atrasa mais a decisão sobre o caso Apito Dourado. A aplicação da justiça não corresponde à percepção de justiça dos cidadãos -sempre assim foi, mas nunca tanto como agora -, o que significa que ou a justiça não serve a sociedade e está a ser mal aplicada ou a nossa percepção está errada.

Entretanto os adeptos, sócios e simpatizantes que viram a verdade desportiva ser adulterada não merecem ser compensados? Fosse Portugal os Estados Unidos e teríamos um advogado a instaurar um processo inovador, arrastando os corruptos e corruptores para indemnizações impossíveis de pagar a todos nós. O apito dourado e tudo o que o rodeia é uma estória hollywoodesca, com direito a todos os ingredientes a ex-prostituta, paixão, traição, os vilões, as vitímas, o poder, dinheiro, intriga, a agressão, só falta um final feliz.

Aflige-me ver cidadãos que pelos cargos que exerceram na Justiça deveriam estar acima de qualquer suspeita estarem envolvidos neste lodaçal, se já não os move o poder, nem o dinheiro, resta-nos os factores emocionais, como a paixão clubística, fraco argumento para quem toda a vida se preparou e decidiu com base em factos, tendo que ignorar o factor emocional, como manda a aplicação da justiça, como podemos acreditar que juízes ou políticos com responsabilidades autáquicas e em empresas públicas não pratiquem actos da mesma índole nas suas funções. Quem faz o menos, faz o mais.

A perda de 6 pontos - podiam ser 12 não vem alterar em nada a decisão do presente campeonato, a suspensão de Pinto da Costa não altera uma vírgula no seu poder no FCP, a despromoção do Boavista em nada atinge Valentim Loureiro. Estivesse em causa a vitória do FCP no campeonato, tivesse o FCP que devolver as verbas que angariou, na Liga dos Campeões - em virtude do campeonato viciado que conquistou e a justiça desportiva falaria tão baixo que não se ouviria. Entretanto The show must go on, está aí a disputa do acesso à Liga Milionária, a taça UEFA, a Taça de Portugal, o Europeu e depois o defeso e as tranferências....

sexta-feira, 4 de abril de 2008