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sábado, 22 de maio de 2010

A Crise

A situação a que chegou o nosso país não se deve apenas à crise internacional, essa dama de costas tão largas, o défice deve-se a um contínuo assobiar para o lado de governos sucessivos.

É engraçado prestar atenção à conversa de alguns responsáveis partidários, parece que nenhum deles participou neste desequilíbrio das contas públicas. O CDS só fala de trabalhadores em tempo de eleições, qualquer dia ainda dizem que aquilo dos submarinos foi proposta da esquerda. O PSD só tem um objetivo: cumprir as vontades do Presidente Cavaco. O BE continua a insistir num discurso facilista e o PC permanece completamente desenquadrado da realidade. Resta o meu PS que com o seu percurso autista, evidencia uma incapacidade total para apresentar soluções que coloque Portugal definitivamente na rota do desenvolvimento económico.
Conclusão: Estes políticos, os banqueiros e outros que tais colocaram o país à beira da bancarrota.

E agora? quem são os herdeiros naturais do desemprego, crise social, défice e mais dívida pública?
Para os mesmos partidos não há dúvidas: a classe média e os pobres.

Há quanto tempo suportamos os sucessivos aumentos dos bens alimentares, da água e da luz, dos incompreensíveis aumentos dos combustíveis, dos aumentos na saúde, dos custos escolares sempre a subir, do crédito à habitação agora como um vulcão adormecido mas prestes a entrar em erupção…
Há quanto tempo bancos, gestores e grupos económicos continuam a acumular remunerações e lucros escandalosos. Será que vivemos no mesmo país?

Será que as crises só se resolvem via receita? Claro que não… mas é mais fácil.
Mas já que foi esta a opção, esquecendo-se completamente do despesismo estatal, porque não a reintrodução do imposto acessório com regras, ou/e um novo escalão do IVA para produtos de luxo, ou/e introdução de um imposto demolidor para o escândalo dos coleccionadores de reformas, etc …

Escrevia uma jornalista há alguns anos mais ou menos isto: “os nossos governantes são fortes com os fracos e fracos com os fortes” …

Na altura não concordei …

sábado, 24 de janeiro de 2009

Crise olha para Sines

Até hoje Sines, mantinha-se, relativamente, imune à crise económica, que assola Portugal, sem piedade. Muito devido aos enormes investimentos industriais anunciados para o Complexo Industrial e ao tecido económico baseado no ciclo de exploração do petróleo. O entusiasmo e optimismo, regado pelo lançamento de primeiras "pedras" e testemunhados pelos devidos acólitos, fizeram crer aos mais crédulos, que seriam uma irredutível aldeia gaulesa. Infelizmente tinha razão, o que não me traz nenhuma felicidade.


Eis que depois do fiasco do Biodiesel, surge hoje, 23 de Janeiro, em paragonas no caderno de economia do Semanário Expresso que "Repsol adia investimento em Sines".

Sines foi atingido pela primeira etapa da crise: o recuo do investimento. Seguir-se-á a segunda etapa: o desinvestimento, nomeadamente por parte da Sonae Indústria na sua fábrica da Euroresinas em Sines?

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Sinais da euforia excessiva

A Paragem técnica da Galp, já entrou na recta descendente, no que diz respeito a pessoal a operar. Várias fontes estimaram que cerca de 3.000 trabalhadores, estiveram a trabalhar na Paragem.
O seu efeito na economia local foi pouco mais de nada, resumindo-se à lotação em alguns dos restaurantes mais baratos, na venda de mais uns litros de cerveja e na dinamização do mercado de arrendamento, principalmente no clandestino.

O falhanço da aposta no biodiesel, associado à descida do preço do petróleo, levou a que a Enerfuel pretenda vender a sua unidade de biodiesel em Sines, que ainda nem entrou em funcionamento, e que novas unidades previstas já não vejam a luz do sol.

O IP8 ligando Sines a Espanha, encontra-se comprometido, nos tempos mais próximos, por falta de garantia de financiamento dos potenciais construtores.

Enquanto alguns pensam que Sines, ligado (excessivamente) ao ciclo de exploração do petróleo passará incólume pela crise, começa-se a falar da retracção de outros grandes investimentos no Complexo Industrial de Sines.

Houve um claro empolamento, na gestão das expectativas do crescimento de Sines, dos postos de trabalho a criar, no impacto económico de milhares de trabalhadores temporários na economia local, da população residente, etc, que a crise mundial apenas antecipou a verdade.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Medidas em Tempos de crise


Dia 8 de Outubro, o governo de José Sócrates anunciou na Assembleia da República, um conjunto de medidas de combate à crise, das quais se destacaram três:

a) as empresas vão passar a ser tributadas de forma progressiva. Os primeiros € 12.500 de matéria colectável serão tributadas a uma taxa de 12,5% em vez dos actuais 25%, e os restantes a 25%;

b) alargamento da 13.ª prestação do abono de família a todos os beneficiários, até agora limitada às famílias mais carenciadas;

c) um apoio às pequenas e médias empresas, consubstanciado, numa linha de crédito, PME -Invest II, reforçada com mil milhões de euros, a uma taxa de juro inferior a Euribor e um período de carência;

Sem questionar a bondade das medidas, duvido da eficácia das duas primeiras. O reduzido número de empresas, que beneficiarão da redução de IRC seria reduzido actualmente, mais serão em época de crise. Em relação à prestação do abono de família, trata-se meramente de um acto politico, pois enquanto as famílias mais necessitadas já recebiam, para as mais favorecidas trata-se de um valor irrisório, sem impacto no seu orçamento familiar.

Em relação à linha de crédito, concordo que ataca a crise no seu coração, injecta liquidez no tecido produtivo, que o pode alavancar gerando investimento e confiança no mercado. Esta liquidez é tão mais importante quanto o mesmo Governo que anuncia medidas para combater a crise, simultaneamente antecipa o pagamento especial por conta em 15 dias e o aumento de 5 para 10% da taxa de tributação com encargos dedutíveis nas despesas de representação e de veículos, com efeitos retroactivos. Corre-se o risco de os efeitos, de algumas das principais medidas, que sentir-se-iam dentro de um a dois anos, em empresas que entretanto fecharam as portas com falta de liquidez.
Existiram outras proposta de combate à crise como:
- alteração do regime de IVA para que passasse a ser pago no momento do efectivo recebimento;
- redução das taxas de retenção de IRS, para famílias desfavorecidas;
- proibição do recurso a off-shores;
- possibilidade de usar os depósitos em PPR para amortização das dividas contraídas em empréstimos para a compra de à habitação.

Estas diferem das primeiras, porque foram apresentadas pela oposição e como tal não aprovadas, sem discutir o seu alcance. Até num momento como o actual a politica consegue sobrepor-se a tudo o mais.

domingo, 24 de agosto de 2008

A crise de Sábado à noite


Ontem, Sabádo à noite, depois de três tentativas, em outros tantos restaurantes, à quarta, finalmente encontro vaga para jantar. Pedimos para ocupar a única mesa vazia, entre umas dezenas ocupadas. Decorrem 15 minutos (medidos pela SporTv, no jogo do Sporting) e nem a Ementa chegou. Levanto-me, procuro uma das duas empregadas, esbaforida a atender, bem mais do que sua capacidade permitia, peço a ementa, que prontamente me entrega, de olhos esbugalhados. Escolhemos. Mais meia hora, foi-se a 1.ª parte. Devolvo a ementa ao dono e explico-lhe que decorridos 45 minutos, em que as únicas entradas eram no jogo, e nem ainda tínhamos perguntado o que queríamos, íamos embora. Para minha admiração, este compreendeu e agradeceu porque tinham muita gente e não conseguiam atender a todos.

Por cá a crise não é económica, mas sim da capacidade de alguns gerirem os seus estabelecimentos.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

A crise dos outros

Estava eu a meditar sobre a crise que se instalou, quando concluí que não fosse a comunicação social, e eu nem percebia que anda por aí a famigerada crise. Depois de dias seguidos a olhar e a trabalhar sobre números, confesso que não me resta paciência para conferir facturas de restaurantes nem talões de hipermercados, não escondo que desconheço o preço da maior parte dos bens de consumo, gasóleo incluído - graças ao cartão galp frota que a empresa gentilmente me concedeu - não sei quanto pagamos de água, luz ou prestação da casa. Apercebo-me, isso sim, de oscilações no extracto bancário, que podem não reflectir a crise, mas apenas algum ímpeto consumista mal resolvido, ou bem , depende do ponto de vista. Portanto a crise dos outros é a minha crise. Sei que não é politicamente correcto dizer isto, pois o que fica bem é queixarmo-nos, muito de tudo e de todos. Nós portugueses temos um sentimento de avassaladora compaixão pelos degraçados, principalmente se estiverem piores que nós, e um ódio até à irracionalidade pelos que estão bem, em especial pelos que estão melhor que nós.