Pago os meus impostos - IRS, ISP, IVA, IMI, etc -, religiosa e escrupulosamente, direitinhos para Orçamento de Estado e Orçamento Municipal, para que Governo e Autarquia procedam à redistribuição da riqueza. Ou seja quem mais pode, ajuda quem menos consegue, tendo como intermediário quem escolhemos para decidir sobre a melhor aplicação da riqueza que geramos. Sim, porque o Estado e as Autarquias não geram, antes gerem, a riqueza que nós contribuintes produzimos.domingo, 7 de setembro de 2008
Sines, Portugal
Pago os meus impostos - IRS, ISP, IVA, IMI, etc -, religiosa e escrupulosamente, direitinhos para Orçamento de Estado e Orçamento Municipal, para que Governo e Autarquia procedam à redistribuição da riqueza. Ou seja quem mais pode, ajuda quem menos consegue, tendo como intermediário quem escolhemos para decidir sobre a melhor aplicação da riqueza que geramos. Sim, porque o Estado e as Autarquias não geram, antes gerem, a riqueza que nós contribuintes produzimos.segunda-feira, 26 de maio de 2008
Preço dos Combustíveis
1. Preço de custo dos combustíveis sem impostos
Veja-se o preço dos combustíveis sem a componente impostos, comparativamente com os países da EU.
Olhando para o quadro acima, percebe-se que o preço dos combustíveis em Portugal não resulta apenas, nem principalmente, dos impostos, mas em grande parte das petrolíferas, que cavalgando a onda de escalada dos preços, aproveitam para inflacionar os seus lucros. Em Março de 2008, o preço da gasolina sem impostos em Portugal era superior ao da Inglaterra em 12,3%, e o do gasóleo também sem impostos era superior ao da Suécia em 17,8%. Tendo em conta a consideração inicial, ou os custos de produção em Portugal são muito elevados ou a margem de venda é muito elevada.
2. Impostos sobre os combustíveis
Em relação aos impostos sobre os combustíveis, estes têm uma componente fixa (ISP) e variável (IVA). O ISP é fixado em Portaria, pelo que não varia em função preço do combustível, antes vai perdendo peso relativo à medida que este sobe. Já em relação ao IVA, quanto maior a base tributável maior a colecta, para além do facto de termos uma taxa de IVA superior à média europeia.
O quadro seguinte, mostra o peso em euros do Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP) e a taxa de IVA que incidem sobre os combustíveis em Portugal e a média da UE15 e o peso total das taxas em percentagem do PVP.
ISP noutros países:
Gasóleo: http://www.apetro.pt/Uploads/%7b93AC257B-8FB7-4000-A5EE-5B54C8009045%7d.pdf
Como se vê o ISP em Portugal é superior ao da média da UE15 em apenas, 1,3%, e o IVA em 5,3%. Em % do PVP, o peso das taxas em Portugal representa, em relação a todos os combustíveis, 54% do PVP, que é igual à média da UE15.
3. Preço de aquisição da matéria-prima
Com a desvalorização contínua do dólar, o custo do petróleo para as empresas a funcionar em Portugal é mais baixo , como mostram os dados do quadro III.
Entre 2006 e 2007, o preço médio do barril de petróleo aumentou 11,4% em dólares e apenas 1,5% em euros, ou seja, o aumento em euros foi inferior em 7,6 vezes à subida em dólares. Dezembro de 2007 a Março de 2008 – o aumento em dólares atingiu 13,9% e em euros apenas 7%, portanto a subida em euros foi praticamente metade do aumento registado em dólares. Se a análise for feita, não em percentagem, mas em unidades monetárias, conclui-se que, entre Dezembro de 2007 e Março de 2008, o preço do barril aumentou 12,69 dólares o que correspondeu a uma subida de € 4,39, portanto o aumento em euros correspondeu quase um terço da subida em dólares.4. Ganhos em stocks
O combustível vendido num dia não foi produzido com o petróleo adquirido nesse mesmo dia. Ele foi produzido de petróleo adquirido pelas petrolíferas três ou seis meses antes, quando o preço do petróleo era muito mais baixo, no actual momento, sucedendo o contrário em momentos de baixa do preço da matéria-prima. No entanto, o aumento dos preços dos combustíveis parecem não ter como base as variações dos preços do petróleo na data em que foi adquirido, mas sim o preço do petróleo no mercado internacional na altura em que os combustíveis, produzidos com petróleo adquirido em períodos anteriores, é vendido aos consumidores portugueses, o que evidentemente permite inflacionar os lucros das petrolíferas.
Entre Dezembro de 2006 e Dezembro de 2007, o preço da gasolina 95 aumentou em Portugal 11% e do gasóleo 17,2%, enquanto o preço médio do petróleo em euros subiu, entre 2006 e 2007, 1,5%. Considerações Finais:
- Devido a sua situação geográfica e a opções estratégicas Portugal continua demasiado exposto aos ciclos económicos mundiais.
- Em relação aos combustíveis continuamos ser ter uma rede de transportes públicos que permita morar a 40, 50 ou mais quilómetros do local de trabalho e chegar ao local de trabalho a tempo de forma confortável e com disponibilidade em vários horários, como por exemplo na Inglaterra.
- Desde há muito que o País deveria ter apostado no sector energético de forma a permitir uma transição progressiva para formas alternativas de energia, sem continuarmos reféns dos combustíveis fósseis.
- A alternativa do gás natural nos transportes, mais económica e ambientalmente favorável, implementada com sucesso em muitos países do mundo, em Portugal continua a emperrar na falta de disponibilidade destes combustíveis nos postos de abastecimento.
- Qualquer comparação que se faça com os restantes países, deveria ter em conta o poder de compra. Mais importante que saber qual o preço de venda de cada litro de combustível, ou o valor do imposto incorporado é saber quantos litros de combustível compra um salário mínimo nacional ou um salário médio. Pois apesar da diferença do preço entre a Inglaterra e Portugal, seguramente que o mesmo aumento em Portugal é mais significativo no nosso orçamento familiar.
- As repercussões das descobertas de jazidas de petróleo onde a Galp é parte interessada e a anunciada aposta nas energias renováveis, faz-se sentir em Bolsa de Valores mas tarda em fazer efeito na bolsa dos portugueses.
- Sem sabermos as margens de lucro das petrolíferas é difícil entender se a margem já era alta e a Galp, teima em não reduzir as suas margens e partilhar o aumento do custo da matéria-prima com o consumidor, ou se não tem margens para o fazer e então terá custos de produção mais altos que as restantes petrolíferas o que a torna pouco competitiva.
- O movimento especulativo, devido à escalada do preço do petróleo, que atravessa transversalmente o tecido empresarial português, a estagnação do crescimento do PIB e as taxa de desemprego, longe do pleno emprego, desenha no horizonte um perigoso cenário de estagflação.
- Os combustíveis foram demasiado baixos, demasiado tempo e o que sucederá é que este continuará a subir até ao limite em que existirá um produto substituto ao mesmo custo ou a custo inferior e seguramente mais limpo - isto se permitirem mercado funcionar normalmente. Aqui terminará o reinado do Petróleo e começa o da água.
Este post era uma dívida que tinha para com o meu "amigo socialista" e com as correcções construtivas que dispensa a este blogue.
sexta-feira, 23 de maio de 2008
Da Série: "Coisas simples!?"

O impostos sobre os combustíveis têm uma componente fixa (ISP) e variável (IVA). O ISP é definido em Portaria todos os anos, e portanto não é por aí que o Estado ganha com o aumento dos preços dos combustíveis. Mas sendo o IVA uma taxa que incide sobre o preço base, quanto mais subir o preço dos combustíveis, mais aumento a colecta de IVA. Pois, naturalmente, quanto maior for a base de incidência, maior a colecta. O que significa que o governo poderia baixar o imposto e manter o valor previsto no orçamento, em relação às receitas obtidas com a carga fiscal sobre os combustíveis. Isto é baixava a taxa de ISP, mas matinha as receitas através da cobrança do IVA. Simples!?