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quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Se não tens pais ricos, vem ao BES

Sem palavras suficientes para encher as imagens e a nossa curiosidade, o erro começou, alarve, nos directos. O assalto e sequestro, era concretizado por 2 brasileiros, logo, todo o país ficou descansado. "Ah, é essa gente, é mandá-lo para o seu país!", "Logo vi, era começar o desemprego e pronto!".

Qual o contributo em termos informativo, saber se os assaltantes eram brasileiros, pretos, brancos, indios, asiáticos, altos, baixos, magros? Para a Polícia e os negociadores, sim é importante, conhecer todas as características, determinar o modus operandis, adivinhar o passo seguinte, antever o gesto, adivinhar o pensamento, agora para nós basta-nos saber que dois indivíduos assaltaram um banco, sequestraram simples funcionários, puseram a vida destes em perigo, - que nada fizeram para tal, excepto acordar de manhã para mais um dia de trabalho -, após uma maratona de negociações não manifestaram interesse em negociar, nem ceder nas suas pretensões e que a policia actuou de forma eficaz, eficiente e exemplar, como tantas vezes reclamamos.

Procurar racismo, supondo que a actuação seria diferente em função da nacionalidade dos assaltantes, é ultrajante para as autoridades policiais, é ofensivo para toda a comunidade brasileira que reside e contribue para o desenvolvimento de Portugal, assim como para todos os restantes emigrantes.

A principal e única ilação a tirar é que Portugal possuí uma força de intervenção capaz de continuar a fazer de portugal um País seguro, motivo pelo qual tantos procuram Portugal para viver, e nós os recebemos de braços abertos.

A acção policial de tão bem conduzida, calou as carpideiras da vitimização e dos coitadinhos.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Os culpados do costume


Os recentes conflitos raciais (ou sociais ou económicos, ou os três) na África do Sul e em Itália, vêem demonstrar, mais uma vez, que somos muito tolerantes, ou preguiçosos, quando a vida nos corre bem e depressa ganhamos laivos de bestialidade quando as coisas se complicam.

O desgraçado que hoje nos enche de compaixão, pelas dificuldades que enfrenta num país estranho, pode transformar-se no culpado pelo nosso desemprego, inflação, aumento dos preços, e no limite pela falta de chuva. Afinal de contas têm que existir um culpado para os nossos problemas, e se for alguém que não se possa defender tanto melhor.

Para quê culpar o Governo Sul-Africano pelo apoio ao ditador do Zimbabwe, que provoca um êxodo de milhões de refugiado para a África do Sul; para quê culpar a Máfia que tudo controla ou o Governo que não actua em Itália? Esses têm mecanismo de defesa fisica e promocional que torna uma chatice acusá-los. Ah, agora os refugiados sem-abrigo ou um acampamento cigano, esses sim, estão à mão de semear.