1. Do Debate
6 temas, escolhidos pelo promotor do debate entre os propostos pelo público via email.
- Propostas para a criação de mais emprego e apoio social
- Desenvolvimento Económico
- Ambiente e Saúde Pública
- Centro Histórico
- Turismo
- Segurança
O modelo do debate consistia em 4 minutos de intervenção sobre cada um dos temas e 2 minutos de réplica.
Dada a amplitude dos temas, rapidamente se constatou o óbvio, cada candidato levava o tema até ao assunto que pretendia, independentemente do teor da temática, a similitude entre os temas, como por exemplo criação de emprego e desenvolvimento económico, em nada contribuíram. Também muito raramente os 2 minutos foram de réplica, mas de complementaridade dos 4 minutos iniciais.
Sou apologista do modelo anglo-saxónico em que a entidade promotora escolhe um painel representativo da sociedade que coloca as questões aos candidatos, em que ambos respondem à questão colocada sem direito de resposta e em que o interlocutor pode interpelar o candidato se entender que este não foi suficientemente esclarecedor ou se desviou do tema. Trata-se de um verdadeiro debate entre a sociedade civil e os candidatos, que requer um estádio de maturidade democrática e civilidade elevado.
2. Dos Candidatos
João Custódio, candidato do PSD, não se limitou a cumprir calendário, começou, e foi dando um ar da sua graça, nomeadamente com apontamentos muito contundentes acerca da politica actual de Manuel Coelho.. O PSD e o João sabem que a sua luta ainda não é agora, mas não desiludiu, apesar da prova de fogo de mais de três horas e meia e de a dado momento ter vacilado. O PSD tem candidato, e os sociais democratas utilizar o seu voto para outra força politica, com o argumento do voto útil, é uma injustiça que fazem ao seu corajoso candidato. Foram para ele os primeiros aplausos da noite.
Idalino José, candidato do PS, manteve o distanciamento das querelas, o que se aconselha a quem pretende ganhar a eleições autárquicas dentro de menos 2 semanas. Distanciou o PS dos factos políticos que enxameiam esta campanha e parece já está concentrado no momento pós-eleitoral. Deixou aqui e ali algumas boas e interessantes propostas, nomeadamente a nível da segurança industrial.
Os apoiantes da CDU empolgados por um dia de arruada com o seu secretário-geral, denotavam uma certa excitação por mais uma oportunidade de confrontar Manuel Coelho com o passado comum. Francisco do Ó não perdeu as qualidade de politico hábil e com a empatia que o caracteriza foi aproximando o público. Não renegando o passado soube olhar para o futuro.
O enfant terrible da política local José Carlos Guinote, candidato do BE, foi quem mais terá capitalizado com este e outros debates, quer pela capacidade inata de comunicar, quer pelas propostas que apresenta e que colhem junto do público. As suas propostas primaram pela diferença em relação aos restantes candidatos. o candidato do BE falou de algum muito importante, não mensurável pois não é do plano do material, por isso de valor incalculável, da discriminação das instituições em função dos seus dirigentes e da ausência de liberdade na sociedade civil, temas que me são caros.
O candidato do SIM, Manuel Coelho, esforçado por aparentar tranquilidade e ansioso por debitar o discurso habitual que se apresentou a debate, continua combativo mas longe do que o caracterizou noutras campanhas. Quem já ouviu um discurso seu já ouviu todos, sempre igual, repetitivo até à exaustão. Nada de novo nas suas propostas, a sua candidatura fica-se por uma capacidade de comunicação/marketing ímpar em Sines e invulgar a nível local de dimensões como o Concelho de Sines, feita a relação custos da campanha por voto obtido é seguramente uma, senão a mais, cara do País. Notória a crispação do público presente com Manuel Coelho. Fosse Sines um País das América Latina e tinhamos os condimentos para uma boa guerra civil, de lado um presidente apegado ao poder, como se com a sua derrota não houvesse amanhã, do outro lado mais de dois terços da população, que não apenas não se revêem no presidente, como detestam a sua arrogância e vacuidade. Manuel Coelho pode não ter perdido ainda as eleições, mas já perdeu o pé.
3. Da politica
Subsiste a dúvida a luta pelo poder far-se-á a 2 ou a 3. A esta altura o eleitorado do PS, SIM e CDU estará praticamente definido e não terá muito mais por onde crescer, resta-lhes segurar a votação. O BE terá garantida a eleição do cabeça-de- lista e creio que não mais que isso. O PSD muito dificilmente conseguirá eleger o seu candidato
O comportamento do eleitorado do BE e do PSD ditarão o vencedor entre os principais candidatos. Continua a acreditar que a luta pelo poder far-se-á a dois, sendo um deles sempre o PS, resta saber quem o acompanhará.
4. Das intervenções
A questão “Propostas de criação de mais emprego e apoio social” colocada aos candidatos à autarquia está mal colocada. Enquanto candidatos temos que analisar os reflexos sobre as condicionantes.
Como pode o presidente da autarquia falar sobre politicas de emprego promovidas pela CMS, quando asfixia os fornecedores, com as respectivas consequências sobre o emprego. Para abordar este tema temos de falar do endividamento, cuja ausência nos temas a debate estranho, que estrangula a eficácia do apoio social e a promoção do emprego.
Estamos aqui, enquanto candidatos para apresentar as nossas propostas e vocês (eleitores) para escolher e decidir que governará. Isto é uma democracia, não uma monarquia, como o candidato do SIM pretende.
Reforçaremos o apoio às instituições sociais que garantam emprego estável e com direitos
A poluição é o principal constrangimento ao desenvolvimento económico
As grandes empresas, num prazo de 10 anos, terão diminuído em 50% os seus postos de trabalho.
A CMS tem de ser justa com as empresas, adoptando critérios de transparência na contratação e não através de ajustes directos, como é hoje prática.
Os interesses da cidade e dos cidadãos foram colocados em segundo plano em relação aos interesses das grandes empresas.
O projecto de regeneração urbana, que o candidato do SIM fala, ao contrário do que diz ainda não está aprovado em definitivo. Faltam os projectos.
O BE irá propor já nesta legislatura, na Assembleia da República, um regime para as grandes empresas do Complexo de Sines semelhante ao fundo térmico de da EDP. As esmolas da Petrogal quando e a que autarcas entendem, serve para condicionar a livre escolha democrática.
Com O BE os Sinienses terão as mesmas garantias constitucionais de garantia de saúde pública que noutros pontos do território. A questão da poluição é uma questão apartidária e tem de ser defendida por todos.
Temos de acabar com o caciquismo do presidente e dos seus grupos.
Ri-te, ri-te (dirigindo-se para Manuel Coelho, arrancou a gargalhada da noite).
José Carlos Guinote, BE
A economia social é um importante motor de criação de emprego. Hoje estão dependentes da CMS é necessário libertá-las.
É fundamental relançar as cooperativas de habitação, de consumo.
Defendemos a construção de um aindústria conserveira para acrescentar valor ao pesacdo de Sines. A autarquia deve investir inicialmente e depois sair, não se trata de economia planificada.
Os comerciantes que resistem saõ os verdadeiros heróis do Centro Histórico.
Vamos devolver o centro da actividade social e cultural ao centro histórico, donde nunca devia ter saído.
Desde a construção da Albergaria D. Vasco, que nada de novo surgiu. Agora fala-se em 1.500 camas, 5 hóteis, mais projectos mirabolantes.
É engraçado falar de turismo. Quem se dirige para o Porto Covo, depois daquela estrada abaulada, abauladíssima, sem bermas, sem sinalização horizontal e vertical, chega ao Largo do Marquês, desce a rua e nada, é um vazio. Falta recuperar a arriba desde o Porto de pesca até à praia do Portinho.
Mas quem chega a Sines, vindo pela Rotunda do Idalino, entra na Avenida Vasco da Gama, vê umas tendas lá ao fundo, uns ferros brancos e vermelhos com umas fitas enroladas que o obrigam a entrar na cidade e pronto começa a confusão.
Pergunto eu? Quando se passeia e corre na avenida Vasco da Gama e se precisa de ir a uma casa de banho? Como se pode falar de turismo nestas condições.
Propomos que o Forte do Porto Covo, quando finalizada a sua recuperação, seja para um Restaurante, um Bar e instalação de uma empresa de visitas e passeios à Ilha do Pessegueiro.
A ministra da saúde deslocou-se a Sines para entregar uma ambulância aos bombeiros, afirmando que o fazia pela amizade que a ligava a Manuel Coelho, mas para fazer um Centro de Saúde a amizade já não conta.
Quem projectou e fez o Complexo Industrial de Sines construiu um centro de saúde? Não. Colocou aparelhos de medição da poluição à saída das chaminés? Não. Entretanto passaram vários governos do PS e do PSD e o que fizeram?
Tenho a informação que os 6,5 milhões da Petrogal estão ao dispôr da autarquia para lhe dar o destino que achar mais adequado. Nós faremos o Centro de Saúde de Sines, um posto de atendimento digno em Porto Covo e ainda pretendemos recuperar o conceito do médico nos meios rurais que se desloca à casa dos pacientes.
Veremos do investimento da Cova do Lago, o que é hotelaria e casas de 2ª habitação. Temos de estar atentos.
Quem zela pela nossa segurança, em ultima instãncia, quando tudo corre mal, são os homens desta casa, (bombeiros Voluntários de Sines), por isso não aceito, como já andaram a dizer que o quartel deve passar para a Ribeira dos Moinhos ou ouro local. Aqui é o seu local, este é o quartel dos BVS, a quem a CDU presta a sua gratidão.
Os Sinienses sabem e reconhecem o trabalho da CDU em mais de 30 anos, não estamos dependentes de ninguém. Temos os nossos valores e somos um projecto colectivo. Pautamo-nos por principio de trabalho, honestidade e competência, outros deixaram de ter estes valores e hoje regem-se por outros.
Francisco do Ó, CDU
O Mar é a matriz do desenvolvimento de Sines, foi no passado e será no futuro. O porto industrial de águas profundas, o porto de pesca, a indústria, o turismo, todos tem em comum o Mar.
Tenho lutado e lutarei sempre por Sines e pelos Sinienses, independentemente da força politica que Governa o País. Foi minha a proposta aprovada por unanimidade de uma acção popular quando se deu a poluição do mar.
Tudo faremos para obrigar o Governo a avançar rapidamente com o Centro de Saúde de Sines.
Foi o Governo PS que prometeu e construiu o Hospital do Litoral Alentejano, que é hoje uma realidade.
O CAS que era apontado como um elemento dinamizador do Centro Histórico, hoje comprova-se que não é.
Das coisas mais graves que a autarquia fez nos últimos anos foi o encerramento da Rua Marquês de Pombal, que permite a ligação ao Centro Histórico.
A ETAR da Ribeira dos Moínhos não pode continuar a poluir a Costa do Norte, temos de a requalificar e depois repovoar aquela zona em termos piscícolas.
Não podemos ter mais de 30 anos depois o abastecimento de água em conduta de fibro-cimento, com amianto.
É urgente criar uma ZEM – Zona económica mista – no Porto Covo
Estamos neste momento a estudar os efeitos da poluição nas crianças e nas mães, mas não é suficiente, temos de ir mais além, estudar os efeitos na saúde de quem tem 50, 60, 70 anos porque os hidrocarbonetos tem um efeito cumulativo no organismo humano.
Defendemos a criação de policiamento de proximidade, que tem dado resultados muito positivos noutros Concelhos.
Em termos turísticos Sines está entre o concelho de Grândola e de Odemira, perdemos tempo hoje temos de ser mais ágeis que os outros para não perder tempo.
As instituições, clubes e colectividade tem de ser actores, temos a obrigação de chamá-los a participar no processo de desenvolvimento de Sines.
Estou preparado para ser presidente, porque acredito na capacidade dos sinienses e nas potencialidades de Sines.
Idalino José, PS
Apoio Social? O candidato do Sim não deve estar a falar dos contentores onde quis colocar os idosos do Porto Covo?
A verdade é que saíram do anterior local, para os contentores, porque existem interesses privados nos terrenos
Quando falam em desenvolver o turismo, não pode ser com o anúncio de uma estrada entre o Porto Covo-Estrada Nacional, que afinal acaba no cruzamento para Milfontes e nem chega ao Porto Covo.
O FMM é importante, mas não cria emprego.
É importante baixar o preço do metro quadrado na ZAL para atrair empresas.
É necessário criar bolsas de estacionamento de apoio ao Centro Histórico. Durante 15 anos não fez nada, agora surge projectos e centenas de estacionamento num ano.
Para falar de segurança temos de começar pela nossa casa. Já todos vimos trabalhadores da CMS pendurados em escadas sem segurança e com uma moto-serra, já vimos trabalhadores a dar produtos químicos nas ruas sem utilizarem máscaras de protecção.
Mas quem é que consegue andar nas calçadas do Centro Histórico.
Os esgotos continuam a ir para o mar, conforme testemunhei.
Temos de ter cuidado com a publicação do relatório sobre o ambiente (GISA) para não afugentar o turismo e a população.
A Etar do Porto Covo não responde às necessidades, principalmente no pico do Verão.
Lutarei com todas as forças para que Sines seja melhor e para defender os interesses dos sinieneses.
João Custódio, PSD
O Eng. Guinote do alto da sua iluminação reconheceu a qualidade do FMM
Em relação aos 6,5 milhões da Petrogal, estes foram negociados para o Complexo Desportivo. Eu não trato com o director da refinaria de Sines, resolvo com o presidente.
(após os apupos) É a CDU que não me quer cá. Já contava com isto, vinha preparado
Desde a celebre greve verde em 1982 que Francisco Pacheco nada fez relativamente ao ambiente
Francisco Pacheco nada fez pelo Porto Covo enquanto foi presidente.
A Avenida Vasco da gama tem uma imensidão de asfalto.
Vamos fazer uma Pousada da Juventude e uma residência universitária no centro histórico.
Nunca se tinha feito nada assim, obrigue as empresas a sentarem-se à mesa para discutir a poluição e temos um projecto de 1,1 milhões para estudar o problema (GISA). Isto não é sério, isto não é um trabalho sério? Agora é que vamos saber como estamos de ambiente.
O candidato do PSD está a ofender os dirigentes da Associação Gralha, com a história dios contentores, tenho pena de não estarem cá para ouvirem isto.
O candidato do PSD está a ofender a dignidade profissional dos trabalhadores da CMS e dos responsáveis da Higiene e Segurança.
(em relação às restantes intervenções do candidato do SIM, basta conhecermos um discurso seu dos últimos 4, 5 anos, foi apenas a repetição. As referências acima correspondem às novidades do seu discurso, no debate de ontem.)
Manuel Coelho, SIM
Nota: cito de memória as intervenções atribuídas aos candidatos. Logo susceptíveis de alteração.