Existem palavras, que valem uma “expressão”, um “sentimento”, ou ainda algo mais. Em Portugal, todos sabemos a palavra Saudade, só existe entre nós. Em crónica de fim-de-semana, alguém falava no Expresso, no porreirismo, no gajo porreiro, como expressão tipicamente lusa.Nada disto supera o “chibo”, o “bufo”. O peso, a conotação negativa, o significado que traz consigo, é irrepetível no nosso léxico.
Para quem conheceu a velha senhora, é um atestado de fascista, com as devidas consequências, para os outros substitui o mariquinhas, queixinhas, que pagará devidamente na próxima oportunidade.
O cão na praia vigiada, o carro estacionado no passeio a impedir a passagem, o jipe que conquista as dunas, o indivíduo que urina na via pública, que joga limpo para o chão, que muda o óleo da viatura num qualquer pinhal, a carrinha que despeja entulho num baldio, a ocupação do espaço público para fazer uma horta, são todas atitudes, mais ou menos, aceites pela malta, porque somos gajos porreiros, não é connosco e acima de tudo não queremos problemas.
O indivíduo que se queixa do bar ou do vizinho que não o deixa dormir, de quem foge aos impostos, da construção ilegal no bairro, do carro que bateu noutra viatura e fugiu, é o chibo, o bufo. Verdadeiro pária, que se mete na vida alheia.
Somos assim, desenrascamos, um gajo porreiro facilita, simplifica, sabe que a vida está difícil para todos, e amanhã podemos ser nós a precisar, e não queremos encontrar um bufo, esperamos um gajo porreiro.
Mas se a denúncia for anónima, aí a coisa muda de figura, deixamos cair o gajo porreiro, porque somos civilizados, tornamo-nos ciosos da vida em sociedade, do bem comum. Chegada a hora da identificação, de testemunhar o que se presenciou, alto! Não vi bem, ouvi falar, mas não sei, não sou bufo.