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sábado, 29 de agosto de 2009
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Projecto “Cálculo da exposição da população à poluição atmosférica”
Conclusões do Projecto: “Cálculo da exposição da população à poluição atmosférica”
A constatação de que a qualidade do ar e seus efeitos na saúde humana é uma preocupação dos portugueses, levou-nos a realizar este trabalho. Para efeitos de saúde humana, compreende-se que uma análise de resultados seja mais relevante se for apresentada em termos de exposição humana, do que expressa em valores de concentração para cada poluente atmosférico.
A constatação de que a qualidade do ar e seus efeitos na saúde humana é uma preocupação dos portugueses, levou-nos a realizar este trabalho. Para efeitos de saúde humana, compreende-se que uma análise de resultados seja mais relevante se for apresentada em termos de exposição humana, do que expressa em valores de concentração para cada poluente atmosférico.
Os efeitos dos poluentes estudados estão apresentados na seguinte tabela:
Poluente Efeito
O3 (Ozono)
• Inflamação e irritação do pulmão
• Irritação do sistema respiratório – incapacidade de respirar profundamente
PM2,5 (Partículas finas)
• Contribui para problemas relacionados com a visibilidade
PM10 (Partículas grosseiras)
• Efeitos significativos na saúde a longo prazo
• Aumento de doenças respiratórias e destruição do pulmão
• Possibilidade de morte prematura
NOx (Óxidos de azoto)
• Maior susceptibilidade para infecções respiratórias
• Diminuição do funcionamento do pulmão
Poluente Efeito
O3 (Ozono)
• Inflamação e irritação do pulmão
• Irritação do sistema respiratório – incapacidade de respirar profundamente
PM2,5 (Partículas finas)
• Contribui para problemas relacionados com a visibilidade
PM10 (Partículas grosseiras)
• Efeitos significativos na saúde a longo prazo
• Aumento de doenças respiratórias e destruição do pulmão
• Possibilidade de morte prematura
NOx (Óxidos de azoto)
• Maior susceptibilidade para infecções respiratórias
• Diminuição do funcionamento do pulmão
No projecto verificámos que o sistema de previsão da qualidade do ar, previamente validado, apresentou um desempenho muito satisfatório, tanto para os parâmetros meteorológicos simulados, como para todos os poluentes considerados. Estes factos garantiram a utilização dos valores obtidos por este sistema como dados de entrada no módulo de exposição humana desenvolvido.
Os resultados obtidos para a exposição humana indicam os valores mais elevados na zona de Lisboa e Porto e na zona industrial de Sines e de Setúbal. A primeira situação é concordante com o elevado número de diversas fontes emissoras de poluentes atmosféricos e a elevada densidade populacional nas áreas urbanas referidas. Os valores encontrados nas zonas industriais são justificáveis pelos elevados valores de concentração de poluentes atmosféricos, apesar da densidade populacional ser inferior às das grandes cidades.
Os valores máximos de exposição humana às partículas (PM10 e PM2,5) apresentam-se no Inverno. O aumento de fontes emissoras no interior das habitações (lareiras e/ou fogões a lenha)
provoca um aumento das concentrações de partículas no ambiente atmosférico, ao contrário dos
restantes poluentes, que têm o seu valor máximo no Verão.
O O3 e as PM10 apresentam os valores mais elevados de exposição humana por habitante, visto também serem os poluentes que apresentam maiores valores de concentração a nível nacional.
Entre estes dois poluentes, os valores mais elevados de exposição humana correspondem às partículas. Como as pessoas passam grande parte do seu tempo em espaços interiores estão mais expostas às partículas do que ao ozono.
Como conclusões gerais dos resultados obtidos para Portugal Continental neste período de teste de aplicação do módulo de exposição humana (2007) verifica-se que as principais áreas urbanas se apresentam particularmente críticas em termos de exposição, nomeadamente Lisboa e Porto e as áreas industriais de Sines e Setúbal, com valores elevados tanto para as partículas como para o ozono.
Verifica-se ainda que a exposição é influenciada pela época do ano em que se procede à análise e varia por poluente.
Também se comprovou que a variação temporal (ao longo de 2007) da exposição em locais críticos revela a grande variabilidade destes valores confirmando a importância de aprofundar e melhorar o sistema de previsão, para que permita identificar e prever episódios de poluição e despoletar acções e medidas a curto prazo para a gestão eficiente da qualidade do ar.
Esperamos ter contribuído para a informação e esclarecimento de algumas dúvidas, nomeadamente o efeito de alguns poluentes na saúde humana.
Para tal continuamos disponíveis até ao fim do mês de Setembro, através do e-mail:
Os resultados obtidos para a exposição humana indicam os valores mais elevados na zona de Lisboa e Porto e na zona industrial de Sines e de Setúbal. A primeira situação é concordante com o elevado número de diversas fontes emissoras de poluentes atmosféricos e a elevada densidade populacional nas áreas urbanas referidas. Os valores encontrados nas zonas industriais são justificáveis pelos elevados valores de concentração de poluentes atmosféricos, apesar da densidade populacional ser inferior às das grandes cidades.
Os valores máximos de exposição humana às partículas (PM10 e PM2,5) apresentam-se no Inverno. O aumento de fontes emissoras no interior das habitações (lareiras e/ou fogões a lenha)
provoca um aumento das concentrações de partículas no ambiente atmosférico, ao contrário dos
restantes poluentes, que têm o seu valor máximo no Verão.
O O3 e as PM10 apresentam os valores mais elevados de exposição humana por habitante, visto também serem os poluentes que apresentam maiores valores de concentração a nível nacional.
Entre estes dois poluentes, os valores mais elevados de exposição humana correspondem às partículas. Como as pessoas passam grande parte do seu tempo em espaços interiores estão mais expostas às partículas do que ao ozono.
Como conclusões gerais dos resultados obtidos para Portugal Continental neste período de teste de aplicação do módulo de exposição humana (2007) verifica-se que as principais áreas urbanas se apresentam particularmente críticas em termos de exposição, nomeadamente Lisboa e Porto e as áreas industriais de Sines e Setúbal, com valores elevados tanto para as partículas como para o ozono.
Verifica-se ainda que a exposição é influenciada pela época do ano em que se procede à análise e varia por poluente.
Também se comprovou que a variação temporal (ao longo de 2007) da exposição em locais críticos revela a grande variabilidade destes valores confirmando a importância de aprofundar e melhorar o sistema de previsão, para que permita identificar e prever episódios de poluição e despoletar acções e medidas a curto prazo para a gestão eficiente da qualidade do ar.
Esperamos ter contribuído para a informação e esclarecimento de algumas dúvidas, nomeadamente o efeito de alguns poluentes na saúde humana.
Para tal continuamos disponíveis até ao fim do mês de Setembro, através do e-mail:
ar_saude@dao.ua.pt
Ana Rita Caçoilo e Filipa Caíres
Projecto do 5º ano de Engenharia do Ambiente
Departamento de Ambiente e Ordenamento
Universidade de Aveiro
Ana Rita Caçoilo e Filipa Caíres
Projecto do 5º ano de Engenharia do Ambiente
Departamento de Ambiente e Ordenamento
Universidade de Aveiro
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Poluição em Sines
segunda-feira, 3 de março de 2008
sábado, 5 de janeiro de 2008
SINES E A POLUIÇÃO
Vivendo Portugal uma época em que grassa a hipocrisia, os adiamentos, os silêncios e as falsas verdades no que se refere às questões ambientais é com regozijo que confirmo mais uma vez que a imprensa continua a ser uma referência de denúncia e esclarecimento cabal. Vem isto a propósito do artigo «Os gases de Portugal» (GR 173). Enquanto em Sines eternizamos o debate sobre o desenvolvimento sustentável, recorrendo a eminências catedráticas em jornadas ambientais com vocabulário técnico que afasta o mais interessado cidadão e a autarquia Siniense consegue que sejam efectuadas medições em contínuo e descontínuo dos gases atmosféricos (assombrosa glória) para identificar quais as unidades industriais poluidoras (dúvida arrasadora); enquanto criamos observatórios do ambiente e a população de Sines discute e revolta-se em silêncio contra os maus cheiros, o artigo consegue em poucas linhas responder a todas estas questões, provando que é possível falar de poluição de forma clara e compreensível para todos, e também que o Estado português sonega informação aos seus cidadãos, e só quando pressionado pela CE - entenda-se obrigado a pagar multas — cumpre as suas obrigações ambientais. Nado e criado em Sines há 33 anos, desde cedo percebi que a poluição era companheira de todas as horas. Contudo, ao longo dos anos, senti que não era irreversível, pois a população, a autarquia e as forças vivas lutavam contra um suposto fatalismo. Recordo a greve verde traduzida no cerco ao porto industrial pelas embarcações dos pescadores e a luta contra a incineradora de lixos industriais. Existia mobilização e liderança que conduziram à defesa dos direitos da população. Hoje, com o ridículo argumento de que não se deve protestar no Verão para não prejudicar o turismo em Sines (turismo?!) e de que o desenvolvimento económico é indissociável de poluição, acomodou-se a população, que vive numa passividade assustadora, trocando diariamente a sua saúde por um futuro monetariamente melhor. Estará Sines irremediavelmente inundada por um sentimento de impotência perante tão elevados interesses? Alguém que explique que é possível - com elevado investimento, é certo - reduzir significativamente a poluição atmosférica, que existem fontes energéticas alternativas e indústrias não poluentes e igualmente geradoras de emprego ou com impacto ambiental reduzido, que há países com mais desenvolvimento e com muito menos poluição. Alguém que grite aos ouvidos dos Sinienses que a poluição não é um fatalismo e que a saúde e o bem-estar não têm preço e são um direito elementar e inalienável, Quando for efectuado o estudo epidemiológico há muito exigido, vamos Infelizmente concluir aquilo de que suspeitamos: somos mais doentes e morremos mais, nomeadamente de doenças do foro oncológico, do que a generalidade dos portugueses. A propósito, alguém viu por aí as associações ambientais?
“Texto publicado na extinta revista Grande Reportagem, em 15 de Maio de 2004”
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