Sr. Presidente da Câmara Municipal de Sines, Sr. Presidente da Junta de Freguesia de Porto Covo, Comandante da GNR, Comandante dos Bombeiros, Presidente da Liga dos ex-combatentes, presidente da associação de comerciantes, deputados, políticos, alcoviteiros e todos, mas todos que tenham algum poder e representação social e também aqueles que não têm poder, nem capacidade de decisão, nem sobre si próprio, esta reclamação e apelo é para vós.Não me queixo do cheiro nauseabundo que invadiu a minha casa dia 24 de Abril ao fim da tarde, como se o corpo putrefacto da revolução tivesse passado por Sines; não me refiro da nuvem negra de fumo que a Central da EDP vomitou sobre Sines ao longo de toda a sexta feira, pintando
o céu de negro; nem das pilhas de carvão que parecem querer desafiar a serra do Cercal, em dimensão, porque em cor nada as iguala – às pilhas de carvão –; não ligo pevas ao facto de iniciarem as obras de requalificação do Largo Marquês de Pombal, no Porto Covo, no início do Verão, quando o podiam fazer precisamente no final da época balnear, como manda o bom-senso; nem o drama e tragédia do fim da feira de Agosto que tanto apoquenta o PS local. Não me queixo destas minudências, porque já estou habituado e nada representam perante o problema que me impele a efectuar esta reclamação.É o caravanismo, as caravanas e os caravaneiros (só pode ser este o seu nome) que me tiram o sono, causam azia, más digestões, urticária e aguda flatulência que restringem a minha vida social ao mínimo essencial. Considero-me tolerante e condescendente, menos com o caravanismo, onde
todo o meu ódio se manifesta.Perante a incapacidade do meu psicólogo e psiquiatra, terapia familiar e de grupo, optei pela reflexão (até porque sobrava-me tempo, dados os meus problemas intestinais) e racionalização deste ódio.
E meus senhores não há só gaivotas em terra quando um homem se põe a pensar (presto desta forma a minha homenagem ao 25 de Abril e a Zeca Afonso) e fez-se luz: estamos perante uma conspiração de âmbito mundial que em comparação o aquecimento global é uma ninharia.
Alguém sabe porque todos os proprietário de caravanas estacionam de forma horizontal à linha de água e o mais perto possível da beira das falésias, como se fizessem questão de se fundirem com o mar, senão para proibir a visão tranquilizadora do mare nostro e o estacionamento e acesso às praias.
Existirá vivalma, que explique porque raio circula esta gente, nunca a mais de 50 Kms/hora e sempre no meio da via, senão para nos atrasar e enervar tentando que tenhamos um acidente;
Já porventura, pensaram que esta gente dorme sobre os próprios dejectos e fluídos corporais de toda a espécie, normalmente lava os pés a porta da caravana em alguidares, monta a mesa e cadeiras junto à caravana, apropriando-se da área circundante, não gasta um tostão no comércio local, quanto muito uma bica e 2 horas a ocupar a esplanada do café, todos têm um cão,
normalmente um irritante caniche, que mija e caga, onde lhe dá ganas;E depois, e isso é o que mais me irrita, alguém já viu uma gaja boa a viajar de caravana? Nunca! Porque os caravaneiros são velhos, com esposas gordas que nem Popotas, vestem fato de treino e sandálias com meias brancas e como se não fosse suficiente ainda conduzem sem camisa.
Depois dos estacionamentos juntos às praias, marginais e falésias, eles começarão a ocupar as nossas avenidas, ruas, bairros, garagens e brevemente o mundo será deles.
Já não será suficiente taxar absurdamente a sua estadia. Furar os pneus ou abastecê-los de gasolina em vez de gasóleo é de todos desaconselhável, pois só aumentaria a sua permanência, injuriá-los ou buzinar insistentemente durante a noite junto às caravanas é escusado, após várias tentativas descobri que os seus aparelhos auditivos à muito que não funcionam.
Muitos mais argumentos existem, mas penso que bastam para nos unirmos e salvarmos o que resta da sociedade civilizada.
Apelo à unidade para que o nosso Concelho, proíba todas as formas de caravanismo com uma Postura municipal que permita correr à paulada, que isto não vai de outra forma e que deste modo possamos ostentar orgulhosamente em todas as entradas do nosso Concelho: "Benvindo a Sines, Concelho livre de Caravanas."