Não sou ingénuo, já não tenho idade para isso, mas também nunca terei idade suficiente para não acreditar em quem penso ser meu amigo. Para quem acredita na amizade e na lealdade, a traição quando chega é como um tornado, forma-se rápido, devastador e destrói muito daquilo que construimos pacientemente.
Aqui deixo o relato dos acontecimento e como teceram a teia à minha volta.
27 de Fevereiro - No Cais da Estação sou alvo da primeira abordagem, por parte do Dr. Manuel Coelho para pertencer às listas do Movimento SIM. Faltava muito para que as listas se anunciassem, encarei como um convite natural, longe de pensar em lugares, fiquei a matutar de que forma o SIM e eu podíamos ajudar para melhorar Sines.
18 de Junho - Quatro meses depois, nova abordagem, desta feita no Restaurante Zona Norte. Agora mais perto da apresentação das listas, a coisa era mais séria. Sentia-me disposto a aceitar, sabia que encontraria vários amigos e pessoas sérias e honestas dispostas a trabalhar por Sines. Não me enganei.
25 de Junho - contacto telefónico do Dr. Manuel Coelho, com convite para jantar no mesmo dia no Cais da Estação.
Chego ligeiramente atrasado, onde haviam reservado lugar ao lado do Dr. Manuel Coelho. No final do jantar onde estava pouco mais de duas dezenas de convivas, fui formalmente convidado para ser candidato a Presidente da Junta de Freguesia de Sines pelo SIM. Surpreendido pela distinção, pedi para reflectir, pressionado por alguns dos presentes e como já havia decidido previamente aceitar o convite para as listas, mesmo sem conhecer tal elevada consideração, aceitei. Foi imposta a única condição de o n.º 2, ser a esposa do Dr. Manuel Coelho, condição não só aceite por mim, como a via com bom agrado. Regozijo geral, com final da noite no antigo Miséria Bar, visto o Katus estar fechado.
26 de Junho - sou convocado para uma reunião às 17 horas, no gabinete do Presidente da Câmara Municipal de Sines, nos Paços do Concelho para delinear estratégias de campanha do Movimento SIM, nomeadamente a minha presença no jantar oferecido pela CMS aos elementos e colaboradores do Carnaval de Sines.
Neste mesmo dia recusei o convite para o mesmo cargo, efectuado por outra força politica e por um amigo de longa data.
28 de Junho - Lanche no Marquês, com o objectivo de procurar um candidato para o Porto Covo. Inconclusivo.
14 de Julho - Convocado para o Debate do Movimento no Castelo, seguido de acção de campanha nas Tasquinhas.
31 de Julho - reunião na sede do Movimento SIM, com Dr. Manuel Coelho e vereador Nogueira, em que foi comunicado que ao contrário do convite inicial eu não seria o candidato a presidente da Junta de Freguesia, mas antes o meu amigo José Raposo - aliás convidado por mim - candidato a presidente.
Perante a minha recusa foi me oferecido o 2.º lugar, que recusei, ou em alternativa podia continuar a trabalhar para o Movimento SIM. A que respondi: não obrigado!
Por respeito ás pessoas presentes optei por omitir os seus nomes. Para memória futura, nomeadamente dos mais jovens, aqui fica o relato de como se efectua uma traição, o exemplo vivo da baixa politica que afasta os cidadãos, de uma causa nobre como a politica.
Luis Filipe (Picalimas)
Sines, Agosto 2009


