segunda-feira, 4 de maio de 2009

Contas Municipais 2008, a falácia

Durante anos a minha tradicional crónica sobre as contas do município eram de uma criatividade tão pobre, apenas comparável à capacidade de gestão do executivo camarário e às respectivas contas. Invariavelmente pegava na crónica do ano anterior, aumentava o nível de endividamento, mudava o ano e a crónica estava feita.

Para o ano de 2008 tomei a decisão, de fazer a análise à análise que o executivo faz das suas contas. Assim, de acordo com o site da CMS:

"Em reunião realizada no dia 22 de Abril, a Câmara Municipal de Sines aprovou, por maioria, a Prestação de Contas de 2008."

A apreciação da Prestação de contas de 2008, foi votada negativamente na Assembleia Municipal, por uma larga maioria, facto convenientemente omitido.

"A apresentação das contas foi acompanhada da certificação legal e relatório da Sociedade de Revisores Oficiais de Contas (SROC), que propôs a sua aprovação, face à demonstração verdadeira e apropriada que nela se faz da posição financeira do município."

A certificação legal das contas exprime a opinião do revisor oficial de contas de que as demonstrações financeiras apresentam ou não, de forma verdadeira e apropriada, a posição financeira da entidade, bem como os resultados das suas operações, relativamente à data e ao período a que as mesmas se referem, podendo conter reservas ou ênfases, o que desconheço.
Sem aprofundar a tecnicidade desta questão, importa salientar que o ROC apenas valida os valores e operações realizadas e não exprime qualquer opinião quanto ao desempenho de gestão como se pretende transmitir.


"No que respeita à execução orçamental, os valores realizados durante 2008 ficaram aquém do valor orçamentado (51 milhões 170 mil e 221 euros).
Verificou-se uma execução de aproximadamente 44% da receita, sendo que na rubrica corrente a execução foi mais significativa que a receita de capital, com 77% e 13%, respectivamente.
A despesa global apresentou uma execução de 44% e, à semelhança do que aconteceu com a receita, também a despesa corrente teve uma execução mais significativa (68%) que a despesa de capital (23%)."

Estas são velhas questões resultantes de uma sustentada e consolidada má gestão. Inflaciona-se os orçamentos para ser possível incluir todas as despesas, tornando o orçamento irrealista, e perdendo as suas função de instrumento de gestão. Quem prevê receber mais de 55 milhões e depois apenas consegue obter 23 milhões, na actividade empresarial privada tem um nome, incapaz, que antecede outro, despedido.
Quanto aos valores relativos da despesas e receitas correntes e de capital, é facilmente resumido por a autarquia não ter conseguido vender os previstos 15 milhões de terrenos e das promessas de investimento de 25 milhões, realizou menos de 5 milhões.

"Na análise da estrutura da receita, constatou-se uma diminuição nas receitas em impostos directos (-17,35%), o que comprova, do ponto de vista da maioria do Executivo municipal, não ter o município de Sines espaço para a redução das taxas de IMI - Imposto Municipal sobre Imóveis, IMT – Imposto Municipal sobre Transmissões e derrama aplicadas. Nos impostos indirectos houve um aumento de cerca de dois milhões de euros, que correspondeu a uma situação pontual de pagamento de compensações pela não realização de estacionamentos, espaços verdes e equipamentos em loteamento da aicep Global Parques."

Efectivamente os impostos directos diminuíram, mas porque não aceitar que para um valor justo, porque à semelhança dos impostos indirectos não estamos perante uma situação pontual, como a grave crise que atravessamos e se traduz na diminuição dos rendimentos e consequentemente no IRS.
Já agora se mencionam que os impostos directos diminuíram 17% (e não -17%, pois uma diminuição de -17%, representa um aumento), deviam referir que os impostos indirectos aumentaram 226%, assim em percentagem.

"O investimento municipal mantém-se a níveis semelhantes aos de anos anteriores, tendo 2007 sido um ano excepcional pela aquisição dos 124 fogos e recebimento de comparticipação do IHRU - Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana e recurso a empréstimo para esse efeito, que fez subir o investimento nesse ano."

Mais importante que analisar isoladamente o habitual parco investimento municipal, é compará-lo com as receitas. Em 2008, Investir 5 milhões com um nível de receitas de 23 milhões, significa o mais baixo nível de investimento comparativamente com as receitas, pelo menos desde 2005.

“Sublinhe-se que o conceito de ‘investimento’ nos termos da contabilidade pública corresponde quase exclusivamente a ‘betão’. A Câmara Municipal de Sines considera fazer um investimento substancial no desenvolvimento social, cultural e económico do município, através de programas e acções cuja realização implica despesas correntes, mas que não podem ser ignoradas como investimento."

Existe investimento que não é efectivamente mensurável, do mesmo modo que o desinvestimento como a degradação social, ambiental, o custo do endividamento municipal nas gerações futuras, o êxodo para as localidades vizinhas da população jovem, o "amordaçamento" da sociedade civil, a opacidade de procedimentos, etc.

“A situação da dívida será melhorada com o recurso ao Programa da Regularização Extraordinária de Dívidas ao Estado, que permitirá, em 2009, pagar mais de 11 milhões de euros em facturas, regularizando todas as situações de dívidas a fornecedores."

Esta é uma mentira que de tão repetida ainda se torna verdade. O referido programa, como já analisado aqui neste blogue, não reduzirá a divida, mas limita-se a transformar a divida de curto prazo, em médio/longo prazo. Deste modo a divida global, não só se manterá como agravar, em virtude de um mecanismo de mercado que leva os fornecedores ao verem as suas dividas saldadas concederem novos créditos à autarquia.

No que diz respeito à qualidade dos serviços, refira-se que o Anuário Financeiro das Autarquias, editado pela Câmara do Técnicos Oficias de Contas, de 2007, colocou Sines na 2ª posição das autarquias com maior grau de implementação do POCAL – Plano Oficial de Contabilidade das Autarquias Locais, demonstração da transparência e fiabilidade da organização do município ao nível da contabilidade."

Foi este mesmo Anuário que referiu - e aqui se omitiu por óbvia conveniência - que:

Dos Municípios com maior passivo exigível, em 2007, por habitante, Sines ocupa o 27º lugar, com uma dívida por habitante de € 1.706;
A liquidez mede a capacidade de uma empresa ou entidade pagar (solver) os seus compromissos a curto prazo (1 ano). Sines é a 23.º com menor liquidez em Portugal;
Dos Municípios com maior índice de dívida a fornecedores relativamente ás receitas do ano anterior, Sines ocupa a 18º posição.

"Registou-se ainda uma melhoria nos procedimentos dos serviços da Divisão Financeira, em colaboração com os restantes serviços municipais, designadamente ao nível do Aprovisionamento (foram feitas duas contagens de existências, reorganizados e codificados os espaços de armazém e definidos materiais de stocks e stocks mínimos), Património (registos de imobilizado) e Gestão Financeira (melhoria do controlo interno quanto aos montantes arrecadados em cada posto de cobrança e novos procedimentos com Fundos de Maneio), com reflexos positivos nas contas da autarquia. Ao nível da Tesouraria, deu-se início ao pagamento por transferência bancária".

Eis algo que o vereador Albino Roque responsável pelo pelouro das Finanças em 2008, deve ficar agradecido pelo público reconhecimento.


Pura demagogia, a fraca tentativa de esconder a ruinosa e desastrosa gestão que a CDU e Manuel Coelho, tem levado a cabo à frente da autarquia, hipotecando o futuro. O nível de endividamento é preocupante, pois começa claramente a asfixiar a capacidade de execução da autarquia e a manutenção eficiente e eficaz dos serviços básicos da população. Manuel Coelho deixou, à muito de discernir o essencial do acessório, e à boa maneira dos países subdesenvolvidos, desenvolve projectos megalómanos, paredes-meias com a degradação da cidade, subjugando a vontade colectiva aos seus gostos e ambições pessoais. E tudo isto se traduz na frieza dos números.
Quando não sabemos para que porto nos dirigimos, nenhum vento é bom.

7 comentários:

Anónimo disse...

Mas os Camarads não compreenderam o reconhecimento e votaram contra. Como é possivel?
Talvez se deva propor uma informação juridica para explicar a estes camaradas as coisas como são, tal como se fez com as decisões de Porto Côvo. Mas eles não querem ler...

Anónimo disse...

«De qualquer modo a implacável máquina do PCP, tratará do problema, pois tantos anos a conviver com "traidores" e "traições" confere-lhes uma experiência muito grande a tratar de aproveitadores.»
É verdade Chico vocês estão a trabalhar bem, já andam a praticar o clima de terror junto das pessoas, seja em estabelecimentos comerciais, seja em jardins na distribuição de folhas sobre a história da história dos históricos do PCP.
Primeiro pergunta-se de que lado está, e depois promete-se lugares no quadro caso tenha familiares a trabalhar na autarquia, ou então promete-se trabalho na mesma instituição.
Esta gente que até no seu local de trabalho (cms), e entre colegas, andam promover ódios difamando tudo e todos os que não estão com eles, uns porque os deixaram e outros que não os apoiam, NÃO ESTOU FALANDO DO MANUEL COELHO.
Os lideres locais, gostam e apoiam isto, porque quem faz são os/as pontas de lança do partido, como são desbocados/as e não têm educação, dizem tudo como os doidos, e eles estão na parte cómoda.
Será que ainda não perceberam que assim ainda acabam mais depressa?
Será que quem difama não tem telhados de vidro, nem está sujeito a censura?
Ou serão estes os difamadores perfeitos, sem erros na vida?

Fundamental e o Acessório disse...

Mas no meio disto tudo, percebe-se que as contas são erros politicos ou de "visão". temos um Concelho sobrendividado que na substância nada melhorou.

pergunto muitas vezes porque é que Concelhos com 3 x mais habitantes e com mais valias em infrestruturas tem orçamentos inferiores...

será que os Sinienses não saiem desta região e visitam outros concelhos com menos capacidade financeira e muito mais organizados, com tantas ou mais valências que este nosso, com estruturas base à muito mais anos que Sines... será que não vêm que as contas são DO NOSSO MUNICIPIO logo do nosso dinheiro, dos impostos que tanto nos custa a pagar?

Será que seriamos accionistas de uma empresa com estas contas?

Será que não percebem que com este endividamento não sevai construir nada de básico na próxima década?

Será que não se percebe que os erros financeiros da Câmara é da responsabilidade politica dos ultimos 15 anos e não dos seus técnicos?

será que precisam de mais café?

Um preocupado disse...

Para mim que não percebo patavina de finanças , só as minhas e mesmo assim ás vezes falham o que me deixou preocupado foi , e passo acitar "Pura demagogia, a fraca tentativa de esconder a ruinosa e desastrosa gestão que a CDU e Manuel Coelho, tem levado a cabo à frente da autarquia, hipotecando o futuro.Pois é meu amigo Idalino vê lá o que te espera em Outubro, segundo o Braz o futuro está hipotecado, quando lá entrares em Outubro o que tens de fazer é mandar vir uns auditores e fazer uma auditoria de fio a pavio e publicar tudo escarrapachado em praça publica para os votantes do MC verem com os seus olhinhos a ruinosa gestão.

Anónimo disse...

«De qualquer modo a implacável máquina do PCP, tratará do problema, pois tantos anos a conviver com "traidores" e "traições" confere-lhes uma experiência muito grande a tratar de aproveitadores.»
É verdade Chico vocês estão a trabalhar bem, já andam a praticar o clima de terror junto das pessoas, seja em estabelecimentos comerciais, seja em jardins na distribuição de folhas sobre a história da história dos históricos do PCP.
Primeiro pergunta-se de que lado está, e depois promete-se lugares no quadro caso tenha familiares a trabalhar na autarquia, ou então promete-se trabalho na mesma instituição.
Esta gente que até no seu local de trabalho (cms), e entre colegas, andam promover ódios difamando tudo e todos os que não estão com eles, uns porque os deixaram e outros que não os apoiam, NÃO ESTOU FALANDO DO MANUEL COELHO.
Os lideres locais, gostam e apoiam isto, porque quem faz são os/as pontas de lança do partido, como são desbocados/as e não têm educação, dizem tudo como os doidos, e eles estão na parte cómoda.
Será que ainda não perceberam que assim ainda acabam mais depressa?
Será que quem difama não tem telhados de vidro, nem está sujeito a censura?
Ou serão estes os difamadores perfeitos, sem erros na vida?


Bráz isto dava um bom post

Cumprimentos

Anónimo disse...

O "SHARKINHO" é grande.
Tem origem em asneiras desde longa data e é permanentemente alimentado por algumas fontes de grande dimensão.
O saneamento do "pântano" das finanças Municípais vai levar muito tempo e requer muita luta política, muita paciência e não permite devaneios nem asneiras em investimentos em actividades não prioritárias.
ATENÇÃO aos programas e promessas de campanha eleitoral.
Bem-ajam...
Bem-votemos...

Anónimo disse...

grande post braz, em dimensão e qualidade. É bom que alguem desmonte as falácias dos camaradas, pois a oposição nem sempre o faz.