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domingo, 13 de julho de 2008

Doutores e Engenheiros

Quantas vezes no início de uma conversa, surge como viso prévio, transformado em ameaça ou desafio, a afirmação: “Eu não estudei, mas sei tanto ou mais que muitos doutores”, depois segue-se um desfiar de aventuras e actos de heroísmo em que, o nosso homem, avisou, contradisse e acertou e ensinou doutores, engenheiros, advogados, e outros que viessem. “Eu não sou Doutor, nem Engenheiro, mas…”, é um cartão de visita, suficiente para percebermos o que nos espera na reunião ou conversa informal que se segue.
Torna-se patético quando, estes frustrados eruditos, perguntam as coisas mais disparatadas que eles sabem e o interlocutor por ter estudado supostamente devia saber. A mais recente que era suposto eu saber, - “porque sou doutor” – é que a cenoura é o único legume, em que só se come a raiz. Mas porque raio, haveria eu de saber tal coisa!
Temos em Portugal este complexo dos graus académicos, que utilizamos, ou desejamos, de forma única, pelo menos na Europa.
Algo que a formação académica nos ensina, é precisamente que ninguém sabe tudo, sobre o que quer que seja; que temos que actualizar permanentemente os nossos conhecimentos; torna-nos curiosos; ensina-nos técnicas e métodos de aprendizagem e desenvolve a nossa capacidade de aprendizagem.
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