Central de Sines da EDP está entre as mais poluidoras da União Europeia.A central a carvão da EDP é a décima-segunda maior emissora de dióxido de enxofre (SO2) e ocupa a mesma posição na libertação de óxido de azoto (NOx) entre os vinte e sete. Os números são de investigadores ingleses para a organização não-governamental sueca "Stop the Acid Rain" ("Parem com a Chuva Ácida") e fazem parte da avaliação aos 100 maiores emissores europeus dos gases mais importantes para produção das chuvas ácidas, todos eles centrais a carvão ou a fuel. Já se sabia que a central de Sines estava entre as 30 unidades com maior contributo para o efeito de estufa, através da produção de CO2. Agora, o "ranking" fica completo. Mais do que acusar , o objectivo da ONG é mostrar que, tendo os dois gases efeitos sobre a saúde e o meio ambiente - as centrais são também emissoras de dióxido de carbono - a aplicação das tecnologias mais avançadas podia não só baixar drasticamente as emissões, como os ganhos daí derivados para a saúde excederiam largamente os custos dos novos equipamentos.

Os investigadores afirmam que, com tecnologias mais avançadas, é possível reduzir as emissões de SO2 e NOx em aproximadamente 3,4 e 1,1 milhões de toneladas, respectivamente, o que baixaria as emissões europeias em 40 por cento (SO2) e 10 por cento (NOx). Quanto aos custos e benefícios, estimam que os ganhos para a saúde seriam, em média, 3,4 vezes superiores aos custos.
A central de Sines, caso instalasse as referidas tecnologias registaria benefícios para a saúde 2,14 vezes superiores aos custos inerentes à operação. As 100 centrais mais poluentes da Europa correspondem a 40 por cento da produção eléctrica instalada, mas o seu impacto ambiental é superior: são responsáveis por 51 por cento das emissões de dióxido de enxofre e 44 por cento das de óxido de azoto. Os especialistas sublinham que a dimensão dos ganhos está calculada por defeito, por terem utilizado o patamar inferior das tabelas internacionais de cálculo do "valor" da vida. Se tivessem sido usados os valores mais altos, os resultados seriam quatro vezes superiores ao obtido, defendem."
In Suplemento Economia do Jornal Público, 06.06.2008
ver sobre o mesmo tema, texto do autor publicado em 15 de Maio de 2004, na extinta revista Grande Reportagem