De cada vez que dada a dimensão ou intensidade da explosão social mediatizam casos como os recentemente ocorridos na Bela Vista em Setúbal, recordo-me do processo de Sines.
Tínhamos uma vantagem, a aprendizagem e experiência dos outros. A solução de realojar quem viveu anos num espaço próprio, gerido à sua vontade, muitas das vezes sem vizinhos nas redondezas, com hortas, criação de animais, espaços térreos, ou com uma rede de apoio assente na vizinhança e é colocado num bairro de habitação social, com regras de convivência, condomínios, espaços comuns, vizinhos desconhecidos, num 5.º andar, é uma bomba relógio, que como a história nos ensina por vezes leva mais que uma geração a rebentar, mas rebenta.
Sem um processo progressivo de integração social, com a recriação habitacional próxima das vivências de cada etnias e grupos sociais, com a criação de hábitos de sociabilização em comunidade, um bairro social, especialmente com as dimensões do de Sines, a ser solução é apenas politica e para os políticos que ao pensarem que o "betão" soluciona os problemas sociais de quem alojaram, apenas estão a criar "problemas" futuros com a pretensão de resolver problemas actuais.
Na ocasião, e talvez, ainda hoje quem pensava que o Bairro Social não era uma boa solução, era rotulado de racista, de defensor da existência de barracas, da perpetuação da miséria.
Certo é que a criação de bairros que procuram recriar as tradições das etnias e grupos socias que alojam, a solução do subsidio municipal de arrendamento, a construção de bairros de pequenas dimensões, a discussão prévia com os futuros habitantes das características dos bairros a construir, a procura de manter os seus hábitos de vida, tem apresentados bons resultados, em vários países e também em Portugal, desde muito antes do erro cometido em Sines.
E tínhamos a vantagem da incompetência. Quando a CDU de Sines projectava construir, já noutras latitudes se falava em demolir. Mas aprender com os erros dos outros, é também reconhecer a nossa incapacidade de solucionar sem os outros terem errado, o que exige humildade, essa desconhecida de muitos políticos.
Tínhamos uma vantagem, a aprendizagem e experiência dos outros. A solução de realojar quem viveu anos num espaço próprio, gerido à sua vontade, muitas das vezes sem vizinhos nas redondezas, com hortas, criação de animais, espaços térreos, ou com uma rede de apoio assente na vizinhança e é colocado num bairro de habitação social, com regras de convivência, condomínios, espaços comuns, vizinhos desconhecidos, num 5.º andar, é uma bomba relógio, que como a história nos ensina por vezes leva mais que uma geração a rebentar, mas rebenta.
Sem um processo progressivo de integração social, com a recriação habitacional próxima das vivências de cada etnias e grupos sociais, com a criação de hábitos de sociabilização em comunidade, um bairro social, especialmente com as dimensões do de Sines, a ser solução é apenas politica e para os políticos que ao pensarem que o "betão" soluciona os problemas sociais de quem alojaram, apenas estão a criar "problemas" futuros com a pretensão de resolver problemas actuais.
Na ocasião, e talvez, ainda hoje quem pensava que o Bairro Social não era uma boa solução, era rotulado de racista, de defensor da existência de barracas, da perpetuação da miséria.
Certo é que a criação de bairros que procuram recriar as tradições das etnias e grupos socias que alojam, a solução do subsidio municipal de arrendamento, a construção de bairros de pequenas dimensões, a discussão prévia com os futuros habitantes das características dos bairros a construir, a procura de manter os seus hábitos de vida, tem apresentados bons resultados, em vários países e também em Portugal, desde muito antes do erro cometido em Sines.
E tínhamos a vantagem da incompetência. Quando a CDU de Sines projectava construir, já noutras latitudes se falava em demolir. Mas aprender com os erros dos outros, é também reconhecer a nossa incapacidade de solucionar sem os outros terem errado, o que exige humildade, essa desconhecida de muitos políticos.
6 comentários:
Aquela gente não sabe e não quer viver com regras e em sociedade.Em Sines os problemas não tem passado de pequenas discussões entre vizinhança , mas esperem pela pancada aqui não é diferente dos outros lados e vai rebentar.Bairros Sociais são fontes de problemas infelizmente, e está à vista de todos o que tem acontecido nos ditos bairros em Lx em Setúbal , Porto , etc,etc.Quem não sabe viver em sociedade e com regras , vá viver para a barraca .
Não estou de acordo com Bairros Sociais, ponto final.
Estou de acordo com as ideias aqui expressas.
Em minha opinião, uma das justificações, senão mesmo a principal, é a falta de preparação dos políticos para este género de problemas.
Infelizmente continuamos a ter que votar em pessoas cuja principal qualidade é serem amigos do, ou dos, “donos” dos partidos. Bem sei que há excepções, mas são tão poucas que mal se notam.
Depois, em vez de se rodearem de especialistas nas mais diversas áreas para os ajudarem a resolver este e outros assuntos, os Srs. Presidentes e Vereadores chamam os amigos ou os familiares para os assessorarem e os resultados estão à vista.
Os vencedores dizem que mais não fizeram porque a herança era péssima e os vencidos vão dizer que deixaram a câmara, neste caso, muito melhor do que encontraram.
Estou a exagerar? Não tenho a certeza disso…
Marius Heminios,
não é só a falta de preparação dos Políticos,
são os intresses instalados, acessores por compadrio e não por competência, gabinetes de projecto escolhidos sem concurso, empreitadas e empreitieros, que geram "engenharias financeiras" de contornos (des)conhecidos.
É competência pere gerir os interesses de "Grupos" e "Partidos".
Os Políticos que nos dirgem na sua grande maioria não estão minimamente interessados pele "Coisa Pública".
No mundo actual, que queremos mais humanista, é preciso reflectir antes que seja tarde:
Esta situação da actualidade ( Bairo da Bela Vista), começou porque um bandido foi baleado pela policia durante um perseguição.
Os amigos do bandido estvam contra a policia porque em vez de o balearem deviam prende-lo e a cadeia seria o seu refúgio para novas investidas. Para os amigos ele é um heroí que já tem um filho etc. etc.
Ora o que está em questão é saber o que é que nós queremos se um bandido preso ou um bandido morto .
Pelo cadastro tornado público, o "rapaz" não devia ser "flor que se cheire", e a sua recuperação como de muitos não seria possível.
O que fazer!
ARTIGO DE OPINIÃO DA AUTORIA DE FERREIRA FERNANDES (in Diário de Notícias de 11/05/2009)
Da Bela Vista à Lapa
por Ferreira Fernandes
Os rapazes da Bela Vista (bairro pobre de Setúbal) que homenageiam um assaltante de caixa de multibanco, que incendeiam carros de vizinhos e que disparam sobre uma esquadra da polícia são evidentemente "um caso social" como muito bem diz o secretário-geral do PCP. Na Lapa (bairro rico de Lisboa) também há rapazes que se armam em traficantes de cocaína e são evidentemente um caso social. Se os rapazes da Lapa forem apanhados, julgados e presos, livra-se os vizinhos das suas malfeitorias. É por isso que divirjo de Jerónimo de Sousa quando ele diz que os rapazes da Bela Vista não devem ser tratados como um caso de polícia. Deviam. Por respeito pela esmagadora maioria dos habitantes do bairro da Bela Vista, que valem tanto como os da Lapa. Sendo os rapazes da Bela Vista e os da Lapa devidamente tratados como casos de polícia, poderiam, então, estudar-se os respectivos casos sociais . Aposto que iríamos descobrir que às similitudes que há entre a gente boa da Bela Vista e da Lapa correspondem semelhanças entre as canalhas de ambas.
Sr. MARIUS HERMINIUS,
HOMINUM NODUS EST QUOD STULFI FIRMISSIMI,SAPIENTES INCERTISSIMI.
É verdade Sr. Herminius, a sua sapiencia, sobre todos os assuntos, é um espanto!
- OS IGNORANTES ESTÃO CHEIOS DE CERTEZAS E OS INTELIGENTES ESTÃO CHEIOS DE DÚVIDAS - Agora escolha o seu lugar.
Cumprimentos de um humilde ignorante.
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