A ânsia de calar tudo o que se lhes opõe leva a que vaticinem o fim deste
blogue, depois das eleições, ou
se o PS ganhar, ou se o SIM ganhasse, ou,ou,ou...
Depois existem outros que insistem nas minhas "sondagens", confundindo
alarvemente opinião com
sondagens. Todos tinham a opinião, eu publiquei e assumi a minha, errei, outros enviaram comentários
anonimamente com a sua opinião, nenhum acertou, muitos outros apenas terão acertado ontem depois dos resultados. Prognósticos no final do jogo.
Por fim começaram a surgir hoje os mais patéticos, ainda andarão a perceber como ganharam as
eleições e já falam que este
blogue é serviço público tem de ser imparcial e colocado ao serviço da população. Depois de uma tentativa de OPA, agora uma
nacionalização?
O Estação de Sines, é um
blogue de
opinião, não tendo qualquer dever de imparcialidade ou serviço público e apenas a obrigação de cumprir a legislação em vigor e a liberdade de expressão. Factos que nenhuma maioria absoluta ou relativa altera.
A visão redutora
daqueles que acreditam que o
blogue se findaria com as eleições e a vitória de Manuel Coelho, como se a vida se extinguisse após o acto eleitoral, hoje tem uma resposta à altura. Desde a existência da Estação de Sines, ainda o fim do dia vai longe e já atingimos valores históricos de
visitantes e comentários. E mais importante, os comentários aumentaram não apenas
quantitativamente, mas qualitativamente. Deixo-vos 2 exemplos.
Comentários:
Apenas três notas:
1) em Portugal cargos eleitos não se perdem nas urnas. Apesar das excepções, que confirmam a regra, o eleitor português por razões sociológicas, estados de alma, ou qualquer estranho cálculo pessoal não "despede" um político, seja a nível local (autarquias e juntas), seja a nível nacional (governo). Neste sentido não há nenhuma originalidade no caso
sinense, onde mais uma vez foi preciso que tudo mudasse para que tudo se mantivesse exactamente na mesma. Felizmente que a Monarquia primeiro e o Estado Novo depois caíram através de pronunciamentos militares e nunca foram referendados.
2) A única curiosidade que vejo nas eleições em Sines tem a ver com a perda por parte do PCP de uma câmara que detinha à décadas. Para o Partido Comunista Sines pode ser um case
study. É importante compreender que o mapa eleitoral autárquico arrisca-se a mudar profundamente a nível nacional nas próximas eleições quando um grande parte dos actuais presidentes de câmara já não se puder recandidatar. O que Sines indicia é que a fidelização dos eleitores é mais nominal ou pessoal do que partidária pronunciando que, a nível autárquico, talvez os
amanhãs não cantem para o PC português.
3) O "Estação de Sines" assume o seu discurso no espaço público, logo político, com os riscos que lhe são inerentes. Assim, se por um lado merece parabéns cívicos, por outro acaba por ser um dos derrotados da noite de ontem em Sines. Quanto às previsões que havia avançado - qualquer coisa entre o oráculo de Delfos e a
fezada do jogador do
euromilhões - o próprio autor já vez o
mea culpa. Percebe-se porquê.
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Ouvir a Música das Estrelas.
A distribuição das forças políticas que se apresentava ao acto eleitoral de Domingo
possibilitava dois cenários: um racional que apontava para a disseminação de votos, outro emotivo que fazia antever, por reacção, uma concentração do voto no candidato em exercício. A "Estação de Sines" errou. A "Estação de Sines" esqueceu-se de que a democracia tem muito pouco de racional.
Alegrem-se contudo os corações. O regime comunista que se arrastava em Sines há décadas caiu. Obviamente que esta
Perestroika servida à moda do Alentejo tem mais de continuidade do que de mudança. Conta a pequena história que, quando informado dos acontecimentos em Paris, Luís XVI terá perguntado se se tratava de uma revolta ao que lhe responderam que não, que era uma revolução. Em Sines, porém, respeitam-se as leis da astronomia e o movimento de translação de um astro em relação a outro implica um regresso ao ponto de partida. O "Estação de Sines" errou. O "Estação de Sines não consultou os astros e, como sabemos, tudo está escrito nos astros. O "Estação de Sines" errou ainda quando deu a entender que Manuel Coelho não tem obra feita. Primeiro o homem
transvestiu-se de militante comunista durante 35 anos e foi eleito presidente da câmara. Depois
transvestiu-se de
independente e foi reeleito retirando ao PC local uma câmara que sempre lhe pertencera, dando-lhe assim um golpe cuja gravidade nem um Hipócrates
sinense conseguirá antever. Como diria a minha mãe: é obra.
Resta dar os parabéns ao PS de Sines pela sua visão estratégica. A
antropofagia comunista leva a crer que mais tarde ou mais cedo - mais tarde do que cedo pelos vistos - o poder lhe cairá nos braços. Basta que não se mexa, que não respire. Alguém por lá deve ter lido a história daquele bêbado que, em vez de ir para casa, ficava parado à espera que o movimento de rotação da terra trouxesse a casa até ele. O que como todos sabemos acabará por acontecer. São as leis da astronomia.