A ausência de imprensa local independente, informada e informativa que efectue trabalho de investigação, explica muito do silêncio sobre questões polémicas, mas fundamentais sobre Sines, mas não justifica tudo.
O Sines Tecnopolo, apresentado como um caso de sucesso do "regime" Manuel Coelho, é apenas o mais recente exemplo do ensurdecedor silêncio que grassa em Sines.
Revelou-se desde cedo uma boa ideia, num mau local. A sua missão estava inquinada desde o inicio, e acreditar que vingaria em Sines só é compreensível se, por bondade, aceitarmos que quem decidiu não tem conhecimento da realidade económica e do tecido industrial e empresarial da Região.
Rapidamente se revelou um verdadeiro flop, sustentado pelos cofres da autarquia - principal accionista - e pela formação profissional, que deverá ser uma das vertentes e não a vertente principal e quase única do seu funcionamento.
Ficámos pois com um bom equipamento físico, recuperou-se uma área degradada e à custa do orçamento municipal faz-se concorrência no mercado de formação profissional. Ou seja uma pseudo-empresa municipal deficitária, com nomeações politicas.
Mas como nas histórias tristes o pior estava reservado para o fim, e sobre o despedimento/demissão do seu responsável máximo caiu um manto de silêncio em cujas extremidades seguram o poder executivo e a oposição.
Mas este é apenas um exemplo, facilmente e de memória recordo a queixa dos serviços sociais da autarquia sobre verbas retidas indevidamente, a repetição dos problemas do famigerado art.º 47 de Porto Covo, a polémica do pedido de gravação das palavras proferidas pelo Presidente da Assembleia Municipal de Sines, a redução da comparticipação dos custos de transportes aos clubes que alguns tentam agora negociar em particular, a rotunda da Costa do Norte e o Pavilhão desportivo de Porto Covo, o endividamento municipal, etc, etc, etc
De todos estes assuntos se fala em surdina, com as mais sórdidas e rocambolescas afirmações, sem provas, sem direito de defesa, sem esclarecimentos, sem direito de resposta, desconfia-se de tudo e de todos, como se ninguém seja sério, honensto ou bem-intencionado.
Foi este estado de coisas que este blog também pretendeu combater, permitindo que quem acusasse ou suspeitasse o dissesse aqui, para quem de direito explicar e/ou defender-se.
Mas não, a falta de transparência parece que aproveita a alguns que preferem pensar que são incólumes à critica popular, e acreditam que deles nada se suspeita, tantas vezes despropositada e infundada.
Hoje limito-me a ver avolumar as suspeitas de corrupção e achincalamento na praça pública de tantos dirigentes políticos e não só, sem que exista um espaço que polemize as questões, contribuindo para o seu esclarecimento. Para mim chega, de todos os documentos que possuo sobre os diversos temas referidos, nem um minuto perdi a analisá-los, bastaram segundos para apagá-los, aquilo que ouço ou me contam respondo com um sorriso de indiferença.
Tudo isto percebi no primeiro dia que entrei em Tribunal e confirmei com o continuado silêncio dos lesados das medidas politicas, sejam as empresas prejudicadas, os desempregados preteridos, as colectividades ignoradas, a oposição esquecida, todos, mas todos preferem o conforto cobarde do silêncio, à inquietação corajosa.