
Morreu hoje o João Maria, vitíma de uma queda. Foi assim deste modo abrupto e estúpido como são tantas mortes.
Poeta e escritor nos dias bons, amigos todos os dias. Partiu hoje um siniense de gema e mais uma das figuras de sempre da nossa terra. Cidadão atento e socialmente preocupado com a sua terra e com o mundo. Recordá-lo-ei como autor de alguns dos melhores textos escritos por Sinienses.
Em jeito de homenagem aqui fica a transcrição do post de abertura do seu recente blogue Aqui só Cheira a Sardinha Assada:
"...nasceu este novíssimo «AQUI SÓ CHEIRA A SARDINHA ASSADA» que, como se verá, é bastante mais consentâneo com um porto de mar, com os seus pescadores, tão engraçados, nos seus barquitos pintados às cores, e gaivotas!, muitas gaivotas aos berros ao dealbar da manhã, revolvendo o lixo e as algas pobres nos rochedos – por entre, onde, ainda hoje, se podem contemplar estranhas linhas, quais glifos pré-históricos, que marcam de cicatrizes a rude face dos rochedos, nas imperfeitas tentativa de limpeza ao Crude Oil do último derrame, e que os turistas chamam, com toda a propriedade, de pinturas rupestres da última cidade palafita: Sinus, a desnaturada.
Portanto, meus caros amigos, não fiquem com pena das inconsequentes ‘tiradas’ surrealistas de André Breton e a poesia alucinada de Al Berto, porque eles também aqui vão ter lugar. Nalguma «tasca» de final de noite, entre candeeiros a petróleo, o cheiro intenso a bagaço e ranço de presunto fumado com sabor a tabaco.
Serão, seguramente, crónicas mais modestas, desprovidas das grandes epopeias do Gama, mas prenhes de uma glória saloia e boçal, que ganha o pão-nosso-de-cada-dia entre o atender de um telemóvel e uma ‘mija’ na esquina da rua!"
Em jeito de homenagem aqui fica a transcrição do post de abertura do seu recente blogue Aqui só Cheira a Sardinha Assada:
"...nasceu este novíssimo «AQUI SÓ CHEIRA A SARDINHA ASSADA» que, como se verá, é bastante mais consentâneo com um porto de mar, com os seus pescadores, tão engraçados, nos seus barquitos pintados às cores, e gaivotas!, muitas gaivotas aos berros ao dealbar da manhã, revolvendo o lixo e as algas pobres nos rochedos – por entre, onde, ainda hoje, se podem contemplar estranhas linhas, quais glifos pré-históricos, que marcam de cicatrizes a rude face dos rochedos, nas imperfeitas tentativa de limpeza ao Crude Oil do último derrame, e que os turistas chamam, com toda a propriedade, de pinturas rupestres da última cidade palafita: Sinus, a desnaturada.
Portanto, meus caros amigos, não fiquem com pena das inconsequentes ‘tiradas’ surrealistas de André Breton e a poesia alucinada de Al Berto, porque eles também aqui vão ter lugar. Nalguma «tasca» de final de noite, entre candeeiros a petróleo, o cheiro intenso a bagaço e ranço de presunto fumado com sabor a tabaco.
Serão, seguramente, crónicas mais modestas, desprovidas das grandes epopeias do Gama, mas prenhes de uma glória saloia e boçal, que ganha o pão-nosso-de-cada-dia entre o atender de um telemóvel e uma ‘mija’ na esquina da rua!"
7 comentários:
"Adeus AMIGO JÕAO MARIA"
AMIGO DO PEITO, AMIGO DE INFANCIA DE TODAS as brincadeiras de adolescencia e de parodias.
Quero aqui prestar as minhas sinceras homenagens e dar o meu voto de pesar á familia, e TU AMIGO onde quer estejas,fica em paz
margarida sacramento
Adeus amigo de infancia e de escola.
Farás sempre parte das minhas recordações da primária e do liceu.
Fizemo-la juntos até ao 6ºano.
Depois seguimos cada um com a sua vida...
Encontravamo-nos as vezes para confrontarmos ideias. Sempre gostei da tua frontalidade.
Descansa em paz.
Um dia voltaremos a encontrar-nos...
Carlos Malafaia
Guardarei no coração lembranças do melhor, mais inteligente e mais divertido,colega de trabalho. Trabalhar com ele, foi uma escola e um enorme prazer. Tive oportunidade de lho dizer e demonstrar, imensas vezes...
Ficaremos todos mais pobres e mais tristes com a sua ausência.
Desejo que descanse em paz.
À familia, os meus sinceros sentimentos.
FloraFerreira
Acabo de ver a notícia no blog, e apesar de ser uma pessoa com que poucas vezes falei,deixa-me na mesma triste por ficar a saber da sua partida, quanto a mim é uma pessoa que deixa marca, quando o via fazia-me sempre lembrar dos bons velhos tempos da esplanada, dos bailes e das matinés, com o compacto onde ele tava sempre presente, embora noutro grupo, era uma pessoa que não passava despercebido, tinha a sua personalidade. Fica aqui esse registo, e com ele os votos de que descanse em paz.
a.c.
Não menosprezando todo e qq Siniense, este era inteligente, frontal,amigo.
Andamos juntos na escola até ao 2ºano (Telescola).
Descansa em paz João Maria
Fiquei triste ao saber a noticia do desaparecimento do João Maria,gostava dele,sempre que nos víamos tínhamos sempre uma palavra de apreço um para o outro.
Descansa em paz João
Isabel Aurora
AS DUAS IMAGENS
Ele era meu amigo e neste momento choro.
Havia dias que nao ia à Internet, e quando abri o meu correio, o meu irmao tinha-me enviado um meil.
Pude ler a primeira linha que dizia algo como "Olha é pra te dizer que o teu amigo joão do ó pacheco...".
Para o meu irmao me enviar uma noticia sobre o Joao do Ó, pensei "Só pode ser o livro dele. Já o publicaram e é um sucesso."
Senti um misto de emocoes: Contente e admiracao por ele finalmente o ter acabado-Já tinha escrito 300 páginas e só lhe faltava o fim!
Abri o meil do meu irmao e comecei-o a ler.
"...morreu."
Senti-me fraco, triste, e calmo, e todo o meu ser estremeceu.
Ele era meu amigo.
O meil do meu irmao datava de 3 dias-Mesmo ´morto´-ele, o Joao, me surpreendeu.
Sinto a falta dele e as coisas que podíamos ter feito.
Ele era um bem enorme-cativo de si.
A última imagem que tinha dele-A que me veio à cabeca subitamente-foi a sala de trabalho, na casa dele, onde passava os dias no computador, a trabalhar para a CMS e a ouvir música.
Sozinho.
Foi uma morte amarga e violenta.
Quando li o meil do meu irmao, enviei imediatamente um meil meu para a Claudia-A minha parceira.-e poucos minutos depois, o telemovel tocou.
"How are you?" perguntou ela, "I´m a little sad." disse-lhe.
Mais tarde em casa a minha companheira disse-me que a imagem que tem do Joao é do Verao passado, quando estávamos nos Galegos.
O cao apareceu perdido à procura dele.
Mais tarde viu-o, "Atao Joao!", "Atao pá, por aqui?"
Nao me lembro se apertámos a mao.
Prefiro a imagem da Claudia à minha.
Ela disse-me que "O Joao apareceu de calcoes e de boné..."
Luís Santana (Hamburgo)
P.S. Ela acendeu uma vela-Para o Joao! Jantámos.-e com vinho tinto selámos a despedida. -Ao Joao.
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